Encontro da Magistratura: realizações e projeções para o futuro marcam painel sobre os 20 anos da Escola Judicial
O 21º Encontro Institucional da Magistratura do Trabalho do RS coincide com os 20 anos de existência da Escola Judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (EJud-4), completados em 2026.
Em espaço destinado ao tema no evento, a diretora da EJud-4, desembargadora Maria Silvana Rotta Tedesco, abordou as realizações da unidade no período e apresentou iniciativas que projetam a atuação da Escola para os próximos anos.
A EJud-4 foi criada em 2006 e começou suas atividades de formação em 2007. Nesses 20 anos, segundo a diretora, a missão da unidade, renovada agora, tem sido a promoção de formação humanizada, crítica e conectada com as inovações. Como parte das comemorações desse marco histórico, foi criada uma nova identidade visual para a Escola, além de terem sido escolhidos os eixos "Memória", "Pertencimento" e "Futuro", que integrarão as atividades da Escola até o final do ano. Também será realizada uma sessão especial do Tribunal Pleno para comemorar a data.
A diretora informou que os planos anuais de capacitação elaborados pela Escola, como o de 2026, baseiam-se na escuta ampla sobre as necessidades das pessoas, apontadas no formulário de necessidades, nas audiências públicas realizadas no ano anterior e no formulário de demandas espontâneas, no qual é possível a magistrados(as), servidores(as) e qualquer cidadão ou cidadã propor um tema, um curso e até mesmo indicar um(a) docente. O formulário encontra-se na página da EJud-4 na internetAbre em nova aba.
Em outra direção, a desembargadora destacou que está sendo criada uma lista de transmissão de conteúdos no aplicativo Whatsapp, para levar às pessoas, de maneira mais rápida e acessível, informações sobre as atividades de capacitação da Escola. "Comunicação é parte da formação. Um curso excelente que ninguém soube da existência não formou ninguém", frisou.
Os periódicos editados pela EJud-4 (Revista do Tribunal e Revista Científica, atualmente classificada no estrado A4 da CAPES) também foram destaque na fala da diretora, assim como a criação do Portal de Periódicos, que reúne as publicações e contribui para a preservação do acervo. "Dessa forma, a EJud-4 reafirma a missão do Tribunal em duas dimensões: a preservação histórica e a estratégia para o futuro", ressaltou.
Conforme a desembargadora, uma das iniciativas mais relevantes deste ano é o projeto "Docência EJud-4", que prevê o cadastro, a seleção, a formação e o cuidado com o futuro. Como explicou a diretora, os(as) professores(as) da Escola Judicial, em sua maioria, são os próprios magistrados(as) e servidores(as) da Justiça do Trabalho, que dividem o tempo entre suas atividades profissionais e as aulas.
O cadastro de docentes é feito no site da EJud-4, para que seja formado um banco de professores qualificados. Também será lançado, de forma inédita, um edital para seleção de formadores(as), para identificar novos nomes e novos perfis, de acordo com as necessidades de capacitação. Em um terceiro momento, haverá formação específica para esses(as) professores(as), ou seja, iniciativas como o itinerário de formação, a trilha de aprendizagem e a "Formação para Formadores 2026", todos com o propósito de "ensinar a ensinar", nas palavras da magistrada.
O quarto eixo é o cuidado com o futuro, em que a EJud-4 pretende criar uma memória pedagógica, com acompanhamento, renovação e aperfeiçoamento contínuo. "Mais do que cadastrar pessoas, a proposta é fortalecer uma política de valorização e desenvolvimento da docência na Escola Judicial. Docente da E-Jud4 é uma função institucional, e assim deve ser reconhecida", afirmou.
IA e conciliação
Diante do aumento de volume e complexidade das demandas que chegam à Justiça do Trabalho, a EJud-4, segundo sua diretora, tem o dever de ampliar o número de ferramentas que são objetos de capacitação.
Para esse objetivo, serão implementadas duas iniciativas: uma trilha de aprendizagem sobre Inteligência Artificial, com ensino do uso adequado, critérios éticos, proteção de dados e cuidado com os resultados, e uma nova programação de cursos voltados à conciliação. "Melhorar as conciliações é nosso objetivo com esses cursos", afirmou Maria Silvana.
A juíza auxiliar da Direção da Escola, Maria Cristina dos Santos Perez, complementou afirmando que esses cursos foram reformulados com base na Resolução nº 415 do CNJ, que trouxe diversas exigências em relação aos conciliadores, tais como a necessidade de formação específica. O normativo também define critérios como número de horas-aula e conteúdos obrigatórios que devem ser estudados. "Agora haverá distinção entre cursos para magistrados e cursos para magistrados aposentados e servidores", informou. "Precisamos aumentar o número de juízes habilitados para a conciliação", conclamou.
Durante a apresentação, os juízes Renato Barros Fagundes, Amanda Brazaca Boff e Gustavo Friedrich Trierweiler falaram brevemente das novidades implementadas mais recentemente no sistema Galileu, criado pelo TRT-RS para auxiliar na produção de decisões. Eles abordaram aspectos como embargos de declaração, módulo de execução (que será implementado em breve) e outras funcionalidades. Os magistrados e a magistrada integram grupo de trabalho criado pela Secretaria-Geral de Inovação do Tribunal para discutir e aperfeiçoar o sistema.


