Marca da Justiça do Trabalho da 4ª Região, composta por traços que formam, simultaneamente, as letras J e T entrelaçadas, e a representação de uma pessoa. A cor predominante é o azul escuro, mas também há detalhes em amarelo e verde nas letras J e T. Abaixo desse símbolo, vem o nome "Justiça do Trabalho" e, em letra menor, a identificação "TRT da 4ª Região (RS)" Selo Diamante no Prêmio CNJ de Qualidade 2025
Publicada em: 31/08/2026 15:27. Atualizada em: 31/08/2026 15:27.

Recuperandos da APAC convidam o público a ver através do olhar do outro, em mostra de fotos no TRT-RS

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Imagem ampla da exposição. Na imagem, uma mulher está de costas em pé, ela observa uma das fotografias expostas na parede. A mulher aparenta ter cerca de 30 anos, veste uma saia longa preta, jaqueta jeans e salto alto preto. Atrás dela, um grupo de pessoas conversa de pé.O Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS) inaugurou, na quinta-feira (27/8), a exposição “O Mundo de Ponta Cabeça”, na Galeria Lenir Heinen, no Foro Trabalhista de Porto Alegre.

As produções fotográficas fazem parte do projeto “Caixas de Luz”, desenvolvido e coordenado pelo professor Flávio Fontana Dutra, sobre fotografias no contexto prisional. 

A exposição acontece até o dia 23 de setembro e está aberta a visitação do público de segunda a sexta-feira, das 10h às 16h.


Confira o álbum de fotos.Abre em nova aba

O Mundo de Ponta Cabeça 

Organizada pelo Memorial do TRT-RS, a iniciativa celebra a parceria entre a Justiça do Trabalho gaúcha e a Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC). 

“Quando eu passei a participar da direção da APAC, preocupado em buscar parcerias para ensejar o projeto de cumprimento de pena humanizado, eu pensei, de cara, no Tribunal Regional do Trabalho”, disse Celso Rodrigues, um dos diretores da associação, ressaltando o papel do tribunal na garantia de espaços de inclusão social.

Representando o TRT-RS, o desembargador Cláudio Antônio Cassou Barbosa falou sobre a contribuição dessa mostra cultural para a mudança de perspectiva da sociedade. “Na correria do dia a dia não nos damos conta das coisas que estão a nossa volta. Essa exposição ajuda a enxergar de outra maneira as pessoas que estão lá [recuperandos] e o mundo que nos cerca”, disse o desembargador.

Flávio Fontana Dutra
Flávio Fontana Dutra

Flávio Fontana Dutra faz parte das atividades de laborterapia da APAC há mais de 2 anos. Durante o discurso, o coordenador do projeto falou em nome dos recuperandos e trouxe o depoimento gravado de três dos artistas da mostra. 

“Quem tiver contato com essas fotos, eu digo que não procurem a perfeição do digital, procurem ver com o nosso olhar... Tem uma foto que eu gosto muito de olhar, que é um vaso com flor. O olhar que eu tenho para essa foto é de um mundo diferente, onde tem um portal, um portal para outro mundo”, relatou um dos artistas, no depoimento em áudio.

Nas palavras de Flávio, quem ajudou a dar o nome à exposição foi Cleber, um homem que fazia parte do projeto, mas hoje não está mais na APAC. Ele aparece retratado em uma das fotos, em que está de cabeça para baixo. Ao explicar como funciona o registro da imagem, o coordenador sempre dizia aos recuperandos que a foto ficava invertida no filme fotográfico. O que Cleber contrariou, registrando a cena dele “plantando bananeira” e fazendo surgir a ideia do nome “O Mundo de Ponta Cabeça”.

O projeto

Imagem de um senhor de pé segurando uma câmera pinhole. O homem é idoso de pele clara e com poucos cabelos brancos. Ele segura a câmera em direção à lâmpada do teto franzindo um olho no visor da máquina fotográfica. Atrás dele estão as fotografias da mostra.“Caixas de Luz” surgiu como tese de doutorado de Flávio pelo Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A ação possibilita a construção das máquinas fotográficas, assim como o aprendizado de fundamentos da fotografia pelas pessoas privadas de liberdade. 

Fazendo uso de “IA”  como é definido o conceito de “inteligência analógica” por um dos participantes do projeto -, as obras tomam forma por meio de processos criativos espontâneos no próprio espaço da APAC. As câmeras pinhole são fabricadas com peças de MDF  doadas pela UFRGS , latinhas de alumínio e filme fotográfico. Algumas das fotos foram registradas com câmeras feitas com caixa de fósforo.

As máquinas fotográficas pinhole estão à venda por R$ 90,00 no espaço da mostra, assim como um livro de dobradura infinita com fotografias da mostra. Para acompanhar a iniciativa, é possível seguir o perfil do projeto no Instagram pelo @caixas_de_luz.

Imagem de seis câmeras pinhole em cima de um balcão preto. Duas das câmeras estão em cima de tripés feitos de peças de MDF, as câmeras também são todas de MDF. As câmeras e os tripés são pintados em diferentes cores: marrom, preto, azul, cinza e verde.

 
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Fonte: Laura Barbosa (Secom/TRT-RS)
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