Marca da Justiça do Trabalho da 4ª Região, composta por traços que formam, simultaneamente, as letras J e T entrelaçadas, e a representação de uma pessoa. A cor predominante é o azul escuro, mas também há detalhes em amarelo e verde nas letras J e T. Abaixo desse símbolo, vem o nome "Justiça do Trabalho" e, em letra menor, a identificação "TRT da 4ª Região (RS)" Selo Diamante no Prêmio CNJ de Qualidade 2025
Publicada em: 12/09/2026 14:36. Atualizada em: 12/09/2026 14:36.

Encontro da Magistratura: desafio do uso da IA é a falta de crítica quanto aos seus resultados, afirma palestrante

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Diogo Ortiz

A palestra de encerramento do 21º Encontro Institucional da Magistratura do Trabalho do Rio Grande do Sul ficou a cargo do cientista cognitivo Diogo Cortiz. Ele é pesquisador da área de tecnologia e professor da PUC de São Paulo.

Com mediação da juíza do Trabalho Amanda Brazaca Boff, a conferência trouxe uma reflexão sobre o avanço das tecnologias de inteligência artificial e seus impactos em diferentes dimensões da sociedade, tais como a economia e o comportamento. A atividade ocorreu na manhã dessa sexta-feira (11), em Gramado.

Ao mencionar o rápido avanço das tecnologias de IA, o pesquisador destacou que o principal diferencial desses novos recursos é o domínio da linguagem, uma característica essencialmente humana, segundo ele. "Se a linguagem manejada pelos modelos de IA é criativa ou não, é uma discussão que tem bons argumentos contra e a favor, mas fato é que a IA opera sobre a linguagem, que é o principal ativo humano", explicou.

Foto em plano médio, mostrando parte do público e o palestrante ao fundo, no palco.;

Disso decorre o impacto inédito das tecnologias de IA sobre segmentos como educação, negócios, trabalho e produção de conhecimento.

Como explicou o palestrante, os estudos de IA têm se baseado em três aspectos distintos: o paradigma cognitivo, a dimensão econômica e a questão tecnológica propriamente dita. Dos três, Cortiz considera o impacto cognitivo o mais interessante.

A principal armadilha do uso dessas tecnologias, segundo ele, é a dependência excessiva e acrítica dos resultados gerados pela IA, na medida em que essas tecnologias avançam em capacidade de resolução de problemas complexos. "Desempenho não é aprendizado", enfatizou, ao nomear como "paradoxo de performance" a delegação para sistemas de IA não apenas de tarefas operacionais, mas também o próprio raciocínio.

Nesse contexto, conforme Cortiz,  a competência da "metacognição", ou seja, a capacidade de pensar sobre o pensamento, torna-se cada vez mais importante para líderes e organizações, tanto públicas como privadas.

O impacto maior do emprego das tecnologias de IA no mercado de trabalho está ocorrendo no segmento jovem. Segundo Cortiz, as empresas estão preferindo disponibilizar recursos de IA aos funcionários mais antigos, que com isso geram desempenho semelhante ao que teriam com a força de trabalho de novos estagiários. "Isso tem dificultado a inserção de jovens no mercado, o que é um imenso desafio", concluiu.

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Fonte: Juliano Machado (Secom/TRT-RS). Fotos: Guilherme Lund
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