Marca da Justiça do Trabalho da 4ª Região, composta por traços que formam, simultaneamente, as letras J e T entrelaçadas, e a representação de uma pessoa. A cor predominante é o azul escuro, mas também há detalhes em amarelo e verde nas letras J e T. Abaixo desse símbolo, vem o nome "Justiça do Trabalho" e, em letra menor, a identificação "TRT da 4ª Região (RS)" Selo Diamante no Prêmio CNJ de Qualidade 2025
Publicada em: 10/09/2026 16:20. Atualizada em: 10/09/2026 17:04.

Encontro Institucional: Magistrados(as) participam de oficinas sobre comunicação e Justiça Restaurativa

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Foto em plano aberto, mostrando mangistrados sentados em grupos, em mesas redondas, e o instrutor ao fundo.
Oficina com Yuri Haasz 

A quinta-feira do 21º Encontro Institucional da Magistratura do Trabalho do RSAbre em nova aba foi dedicada a duas oficinas: “Diálogo e Proteção Institucional, Comunicação Responsável e Manejo Construtivo de Conflitos” e “Além do Julgar, Cooperar, Dialogar, Restaurar: um novo olhar para a magistratura”.

Os magistrados e magistradas foram divididos em grupos e participaram das duas dinâmicas, com atividades durante a manhã e a tarde.

Conexão humana

Na oficina “Diálogo e Proteção Institucional, Comunicação Responsável e Manejo Construtivo de Conflitos”, o instrutor Yuri Haasz propôs exercícios individuais, em duplas e em grupos para que os(as) participantes praticassem princípios relacionados à cultura comunicativa. 

Yuri Haasz
Yuri Haasz 

A atividade também abordou o conceito de proteção institucional, destacando sua relação com o bem-estar das pessoas, a saúde mental, a qualidade das relações e, ao mesmo tempo, a preservação da missão e dos limites da instituição. A proposta foi estimular um olhar inclusivo, capaz de conciliar esses diferentes aspectos sem priorizar um em detrimento dos demais.

Yuri Haasz também relacionou o tema aos impactos das novas tecnologias e da inteligência artificial. Segundo ele, compreender se essas ferramentas serão um serviço ou um desserviço depende da capacidade de ouvir diferentes experiências, manter o diálogo e fazer os ajustes necessários em sua utilização. 

O ministrante observou que a inteligência artificial representa uma tecnologia revolucionária, mas ponderou que ainda estamos em um estágio inicial de compreensão sobre seus potenciais benefícios e impactos negativos. Nesse contexto, destacou a importância de atenção à forma como a tecnologia é incorporada à vida profissional e às relações sociais, familiares e educacionais.

Leoberto Brancher
Des. Leoberto Brancher

 “É pelo diálogo e pela conexão humana que conseguimos criar sentido para a nossa existência, para a vida e para aquilo que fazemos em sociedade”, afirmou Yuri.

O instrutor é consultor da ONU, mestre em Ciências Sociais pela Universidade de Chicago e em Relações Internacionais pela International Christian University (Japão). Atua na mediação de conflitos, no desenvolvimento de lideranças e consultorias corporativas, governamentais e educacionais voltadas a culturas colaborativas e de não-violência.

Justiça Restaurativa

Juíza Ivna Mozart
Juíza Ivna Mozart

A oficina “Além do Julgar, Cooperar, Dialogar, Restaurar: um novo olhar para a magistratura” foi conduzida pelo coordenador do Centro de Formação em Justiça Restaurativa na Escola da Ajuris (Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul), o desembargador aposentado do Tribunal de Justiça do RS Leoberto Brancher, em parceria com a juíza de Direito Ivna Mozart, titular da Vara de Garantias da Comarca de Campina Grande (PB) e coordenadora-adjunta do Nejure (Núcleo Estadual de Justiça Restaurativa) do Tribunal de Justiça da Paraíba.

Também participaram as servidoras Caroline Bertolino e Irene Martinez, da Assessoria de Justiça Restaurativa (AJR) do TRT-RS.

Foto de um dos grupos da oficina sobre Justiça Restaurativa. Pessoas sentadas em círculo.
 

Conforme a juíza Ivna, a proposta da oficina foi fazer uma demonstração breve de como a Justiça Restaurativa pode auxiliar os magistrados e magistradas na solução dos conflitos e também na relação com suas equipes. O objetivo é ampliar o olhar para a Justiça Restaurativa, inclusive desconstruindo alguns mitos que cercam o tema.

O desembargador Leoberto explicou que a Justiça Restaurativa tem origem na Justiça Criminal. Ela foge do conceito tradicional de “desvio de conduta, tipificação na lei e punição ao culpado”. Conforme o magistrado, hoje não é possível estabelecer um controle rigoroso capaz de observar e sancionar todas as faltas e perseguir todos os culpados. “As regras estão se liquefazendo. A gente vive essa diluição do campo normativo, de uma sociedade líquida”, observou. 

grupos da oficina sobre Justiça Restaurativa.
Círculo de construção de paz.

Segundo Leoberto, a Justiça Restaurativa propõe uma mudança de perspectiva, em que não mais se discute o campo abstrato da lei, e sim quem foi prejudicado por aquela situação, que necessidades emergem e quem tem a responsabilidade de consertar as coisas.

“A Justiça Restaurativa busca mudar esse foco para o campo das relações afetadas, da escuta das necessidades e da construção de planos de reparação”, acrescentou.

Na Justiça Restaurativa, de acordo com o desembargador, não há a figura de uma autoridade hierárquica que impõe coercitivamente a norma de conduta: é feita uma construção coletiva, por meio do diálogo entre as pessoas, em um ambiente mais neutro (fora da sala de audiências tradicional), que possibilita que as pessoas envolvidas fiquem mais à vontade de se expressar. Isso é chamado de práticas restaurativas. “Nesses modos de proceder surgem metodologias de diálogo, estruturadas. Não é um encontro ocasional. É um encontro construído segundo uma estrutura”, diz o magistrado. Uma das metodologias de Justiça Restaurativa, inclusive trabalhada na oficina do Encontro Institucional, são os círculos de construção de paz.

Círculo de construção de paz, com participantes sentados em círculo
Círculo de construção de paz

“Você vai levar o caso de uma sala de audiências para uma outra sala, com pessoas sem poder hierárquico. Ou seja, não é o juiz, pois a presença do juiz como autoridade dentro de um círculo já quebra essa equalização. É preciso haver uma isonomia, para que as pessoas expressem suas subjetividades”, complementou.

Círculos de paz

Após uma palestra introdutória ministrada pelo desembargador Leoberto e pela juíza Ivna, os magistrados e magistradas se dividiram em quatro grupos. Nesse momento, colocou-se em prática a metodologia dos círculos de construção de paz. Cada círculo foi conduzido por um dos instrutores: o desembargador Leoberto, a juíza Ivna e as servidoras Caroline e Irene.

Círculo de construção de paz, com participantes sentados em círculo
Círculo de construção de paz

Segundo Caroline, que é chefe da Assessoria de Justiça Restaurativa do TRT-RS, foi um momento de o Tribunal oferecer um espaço de escuta qualificada para magistrados e magistradas. As conversas versaram sobre os desafios da magistratura, do ponto de vista humano.

Na ocasião, a AJR também se colocou à disposição dos juízes e juízas para eventuais apoios nas unidades judiciárias, como, por exemplo, promoção de espaços de diálogo. Essas atividades  possibilitam que as pessoas da equipe se conheçam e se conectem mais, potencializando a humanização no ambiente de trabalho. 

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Fonte: Secom/TRT-RS. Fotos: Guilherme Lund
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