Marca da Justiça do Trabalho da 4ª Região, composta por traços que formam, simultaneamente, as letras J e T entrelaçadas, e a representação de uma pessoa. A cor predominante é o azul escuro, mas também há detalhes em amarelo e verde nas letras J e T. Abaixo desse símbolo, vem o nome "Justiça do Trabalho" e, em letra menor, a identificação "TRT da 4ª Região (RS)" Selo Diamante no Prêmio CNJ de Qualidade 2025
Publicada em: 26/08/2026 21:20. Atualizada em: 26/08/2026 21:20.

“Procurar conhecer a história do outro é um papel importante de quem trabalha na Justiça”, diz Mariana Carrara no TRT-RS

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Início do corpo da notícia.

A fotografia mostra a escritora Mariana e a juíza Maria Teresa sobre o palcoA escritora Mariana Salomão Carrara, que é defensora pública do Estado de São Paulo, foi a palestrante do encontro realizado na tarde desta quarta-feira (26/8) no auditório da Escola Judicial do TRT-RS.

Com o tema “Saúde mental, trabalho e capitalismo, uma reflexão necessária à luz do livro ‘A árvore mais sozinha do mundo’", o evento foi conduzido pela juíza auxiliar da Vice-Presidência Institucional e de Atuação em Demandas Coletivas do TRT-RS, Maria Teresa Vieira da Silva, e contou com a presença da juíza auxiliar da Presidência Mariana Piccoli Lerina. A plateia do Auditório Ruy Cirne Lima, composta por magistrados(as), servidores(as), estagiários(as) e público externo, pôde participar com perguntas e comentários.

Confira aqui o álbum de fotos do encontroAbre em nova aba.

Autora do recém-lançado “Cláudia Vera Feliz Natal”, Mariana Salomão Carrara foi vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura nos anos de 2023 e 2025 com os romances “Não fossem as sílabas do sábado” e “A árvore mais sozinha do mundo”, respectivamente. A escritora participou de outros encontros no TRT-RS, em 2025, em formato telepresencial, integrando a programação do ciclo “O que a literatura tem a oferecer à Justiça?”.

A fotografia mostra a plateia com o auditório praticamente lotado.Ao longo de sua exposição, a defensora pública compartilhou a experiência de unir o mundo jurídico à literatura, e destacou a importância de se compreender as histórias individuais, seja no acolhimento feito pela defensoria pública, órgão em que atua, seja no julgamento dos processos judiciais, evitando-se assim a automatização no trato com as pessoas.

No romance “A árvore mais sozinha do mundo”, que foi o fio condutor da palestra, é contada a história de uma família que vive no Sul do Brasil e se dedica ao cultivo de tabaco. Narrada pelo ponto de vista de uma árvore e de objetos inanimados, como um espelho e uma camionete, a trama revela a dor e a conexão emocional dos personagens de uma forma afetiva e que ao mesmo tempo evita estereótipos: “Eu sempre trabalho com a primeira pessoa. Gosto da narração enviesada, que você não saiba as outras versões, que tem uma intimidade muito grande com o narrador. Mas, nesse caso, eu não queria dar voz narrativa aos humanos, à família, principalmente porque eu não queria que eles tivessem uma consciência daquilo que está acontecendo [...] Então eu preferia que eles estivessem sendo observados por esses objetos que já têm um afeto muito grande por eles”.

Mariana ainda abordou o processo de pesquisa e de escrita da obra, quando visitou e conversou com famílias de fumicultores no Rio Grande do Sul, procurando compreender sua visão de mundo e suas necessidades. Tratou também sobre o uso de agrotóxicos nas plantações, que possivelmente refletem em índices elevados de transtornos psiquiátricos, fato que soube ao ler reportagem escrita por uma jornalista gaúcha: “Era uma notícia com uma informação que te desloca, te perturba, mas você toca o dia a dia, como todas as tragédias que a gente está recebendo diariamente. Eu não quero que isso seja esquecido por mim dessa forma, como uma informação, e eu gostaria de viver mais tempo com esses detalhes e trazer para outras pessoas a sensação de saber de verdade, por dentro da casa dessas pessoas, de criar uma família com as relações humanas, independente da tragédia que está acontecendo em volta”. Complementou: “A minha preocupação o tempo todo, uma vez escrevendo, era com a linguagem, com a literatura, mas acho que como desdobramento disso, tenho a sensibilização para uma situação grave e atual brasileira”.

A autora falou também um pouco sobre seu novo livro, “Cláudia Vera Feliz Natal”, que se passa dentro do contexto do mundo do Direito, e ponderou sobre a identificação dos leitores com os personagens, sugerindo que a narrativa pode provocar reflexões sobre a própria atuação profissional dos envolvidos na Justiça e a possibilidade de um diálogo mais aberto entre as diferentes partes do sistema judicial.

A fotografia mostra a escritora autografando livros em uma mesa na saída do evento.Ao final da exposição, houve o sorteio de exemplares de livros da escritora para os presentes, e logo em seguida Mariana autografou exemplares do público.

"O que a Literatura tem a oferecer à Justiça?"

O ciclo de encontros com escritores é promovido pela Justiça do Trabalho gaúcha desde 2023. Seu objetivo é mostrar como a Literatura pode tornar o estudo do Direito mais humano, ajudando a pensar sobre justiça, ética e os desafios da sociedade. Já participaram das edições do evento escritoras e escritores como Dalva Maria Soares, Paulo Scott, Gabriela Leal e Renata Wolff.

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Fonte: Gabriel Moura (Secom/TRT-RS), com fotos de Guilherme Lund
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