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12/09/2019 19:06

Encontro Institucional: psicólogo Jorge Trindade aborda os desafios impostos pela pós-modernidade à saúde dos magistrados

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Psicólogo e procurador de Justiça aposentado, Jorge Trindade palestrou no 14º Encontro Institucional da Magistratura do Trabalho do Rio Grande do Sul
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O psicólogo e procurador de Justiça aposentado Jorge Trindade palestrou, nesta quinta-feira (12/9), sobre Saúde dos Magistrados para juízes e desembargadores do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS). Sua fala no 14º Encontro Institucional da Magistratura do Trabalho do Rio Grande do Sul discutiu desafios que a magistratura enfrenta em tempos de pós-modernidade, em especial as dificuldades de se produzir Justiça em meio a múltiplas e contraditórias narrativas da realidade. “O trabalho que não é satisfatório, que não se consagra numa sentença justa, é sempre estressante”, resumiu Trindade. A palestra foi seguida por rodas de debate entre os magistrados, nas quais juízes e desembargadores puderam participar da discussão do tema.

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Além das graduações em Direito e Psicologia, Jorge Trindade tem doutorados em Ciências Sociais e Psicologia Clínica, e é pós-doutor em Psicologia Forense. Em sua fala, ele reuniu elementos de sua experiência pessoal no meio jurídico com uma análise psicológica e filosófica da atividade judiciária: “O magistrado se compromete com a salvação do outro, mas isso tem um alto custo: o de salvar o outro com sua sentença, com as suas palavras. Isso deve ser feito com um alto senso de Justiça”, resume o palestrante. Para concretizar essa visão, o psicólogo recomendou a atenção a três desafios específicos, frequentes nos tempos atuais.

O primeiro desafio mencionado por Trindade foi a tristeza e a depressão, frequentes em nossa sociedade como um todo. Ele mencionou dados sobre o suicídio e a depressão no País e no mundo. Segundo as informações que trouxe, haveria atualmente cerca de 11 milhões de pessoas deprimidas no Brasil, o maior índice de depressão da América Latina. O compromisso dos magistrados com as decisões que proferem seria, nesse sentido, tanto uma reafirmação do exercício ético da profissão como um aspecto fundamental de sua realização pessoal. “Esse é o preço que o magistrado paga, por ter que proferir todos os dias as suas sentenças”, resume o palestrante. Por meio da elaboração de sentenças justas, os juízes não apenas contribuem para construir uma sociedade melhor: eles produzem sentido para o seu trabalho e sua profissão.

O segundo desafio elencado pelo palestrante diz respeito à solidão e ao isolamento dos magistrados diante da sociedade. “Nós morremos, sim, de solidão. A solidão interna, marcada pelo egocentrismo, pelo narcisismo e pelo consumismo. A solidão do ego que se constrói sem se dar conta da imprescindibilidade do outro”, teorizou Trindade. “Vivemos em uma sociedade surda e ruidosa, que faz muito barulho, mas não escuta”, completou. Para mudar esse cenário, o psicólogo recomenda a solidariedade e a valorização dos vínculos. Ele também recorreu a Heiddeger e seu conceito de Dasein, sugerindo que os magistrados se dediquem a entender o conjunto de relações complexas em que estão inseridos  – seja no exercício da Jurisdição, na atuação Tribunal, na atuação das cortes superiores e na existência em sociedade.

Por último, Trindade discutiu o desafio dos excessos que se experimenta hoje – na alimentação, no consumo de substâncias, no uso abusivo da autoridade e até mesmo na afirmação de preconceitos que refletem visões excessivamente rígidas de sociedade. Em especial, ele apontou a elevada quantidade de informações disponíveis na sociedade contemporânea, e a dificuldade de organizá-las de modo a que se transformem em conhecimento.“Depois de Nietzsche nós sabemos que não há mais fatos, há somente interpretações. Nenhum de nós percebe esse momento da mesma forma, pelos nossos sentidos e pelas nossas crenças”, ponderou o psicólogo. “Sobre os excessos, temos de aprender os limites que vamos dar a eles”, finalizou o palestrante.

Em seu fechamento, o psicólogo trouxe uma ideia reconfortante acerca da possibilidade de construção de novos sentidos em meio a esses desafios. “A elaboração do luto só se completa quando conseguimos atribuir um sentido ao que não tinha nenhum sentido”, considerou Trindade.

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Fonte: Fonte: Texto de Álvaro Lima e fotos de Inácio do Canto (Secom/TRT-RS)
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