04/09/2019 19:02

Setembro Verde: a espera por um transplante em Porto Alegre

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Durante a pausa propiciada pelo semáforo fechado no agitado trânsito de Porto Alegre, uma faixa estendida em frente aos carros parados provoca os motoristas: “O sinal está demorando? Imagina para quem está em lista de espera por um transplante”. Ela é levada às ruas por voluntários da ONG ViaVida e da Pousada Solidariedade. Quem conta a história é a vice-presidente da entidade, Noêmia Gensas, juíza do Trabalho aposentada do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS). O objetivo da ação, conta ela, é causar impacto e chamar atenção para a importância da doação de órgãos. A ONG ViaVida e a Pousada Solidariedade, que têm esse mesmo propósito, já haviam sido destaque no site do TRT-RS anteriormente, em setembro passado. Leia aqui.

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Rischarles e a irmã Lidiane

Em 2018, conversamos com cinco hóspedes da casa: Edinalva, Kaio, Gabriela, Rischarles e Adair. Eles aguardavam um órgão ou já haviam sido transplantados e recebiam acompanhamento antes de voltarem aos seus estados de origem – era o caso, por exemplo, de Rischarles. Ele é o único dos cinco que permanece na pousada. Um ano e quatro meses depois de ser transplantado, o jovem recebe acompanhamento antes de retornar ao Amapá, de onde veio com a irmã Lidiane. Aos 18 anos de idade – tinha 17 quando chegou a Porto Alegre –, ele é direto ao ser questionado sobre o que mudou na vida com o novo rim: “Posso fazer as coisas que não fazia antes”, afirma. “Tenho uma vida melhor agora. Saí daquela máquina”, avalia.

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Lucimar aguarda há um pouco mais de 
um mês por um transplante de rim

Embora seja focada em atender principalmente crianças e adolescentes, a Pousada Solidariedade recebe hóspedes de todas as idades e lugares do país – Porto Alegre é, afinal, referência nacional na área de transplantes, ao lado de São Paulo. Lucimar Nascimento da Silva, do Acre, é uma das pessoas que ocupa um dos dez quartos da pousada atualmente. Ela já havia sido transplantada de um rim, mas o corpo rejeitou. Precisa de outro transplante e, para que não haja nova rejeição, o órgão tem que ser 100% compatível, o que aumenta o tempo de espera. 

Lucimar chegou há pouco mais de um mês em Porto Alegre, vinda de Rio Branco com o filho mais novo, Francisco, de 26 anos. Deixou outra filha e o marido no norte. Para ela, a pousada tem um papel importantíssimo no processo de espera pelo transplante, pois, quando desembarcou em Porto Alegre, chegou a alugar um imóvel para ela e o filho, mas faltou dinheiro e, se não fosse pelo trabalho da Pousada Solidariedade e da ONG ViaVida, teria que voltar para o Acre e perderia o lugar na fila. “Se não tivesse essa casa aqui, eu iria desistir”, afirma.

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Anilson e a esposa Janaira estão hospedados
na Pousada Solidariedade há um mês e meio

Embora triste, o medo de Lucimar – perder o lugar na fila por um transplante – não é incomum. Aconteceu com outro hóspede da casa, inclusive. O marceneiro Anilson Alencar Araújo, de Cruzeiro do Sul, também no Acre. Ele veio com a esposa Janaira para Porto Alegre e, quando chegaram à capital gaúcha, ficaram na casa de uma voluntária por duas semanas até conseguirem um lugar na pousada, indicados por uma assistente social. Esperaram por mais de um mês, mas, com o dinheiro chegando ao fim e sem perspectiva de ser chamado para a cirurgia, retornaram ao Acre. Não tardou para que ele fosse convocado e, como estava longe, perdeu a chance de ganhar um novo rim. Quando foi avisado de que entraria para a lista novamente, Anilson precisou voltar ao Rio Grande do Sul. A família uniu forças para que o retorno fosse possível. Em vez de dinheiro, o problema agora é outro: a distância da família e da terra natal.

Problema esse compartilhado por muitos dos hóspedes – que veem, na distância da família e do lar, outra grande dificuldade. Mães, pais, filhos e amigos ficam afastados em um dos momentos mais delicados da vida. "A gente deixa família, deixa tudo", lamenta Anilson. É por isso que, na visão de Noêmia, a questão da doação de órgãos e dos transplantes vai muito além de algo meramente clínico, de saúde pública. Para ela, também é uma questão pessoal e psicológica, visto que afeta as pessoas em diferentes níveis. “Além do sofrimento pela doença, que não adoece só o paciente como toda a família, os nossos hóspedes têm mais um drama pessoal: a separação da família”, analisa a vice-presidente da ONG.

É pensando nessas questões pessoais dos pacientes e buscando atenuar os problemas que a ONG trabalha nas mais diversas frentes, fazendo o que pode para ajudar e confortar os hóspedes. Já teve até festa de 15 anos na pousada, recorda a coordenadora da casa, Ana Margarete. Uma jovem que chegou a Porto Alegre com 14 anos e fez aniversário enquanto aguardava por um transplante teve os seus tão sonhados 15 anos organizados por voluntários da ONG, com direito a vestido e bolo — demonstrando que, na pousada, a solidariedade não é mera formalidade do nome. 

A importância de se falar sobre o assunto

_TRT9422.jpgA maioria das famílias que se recusa a doar os órgãos de entes falecidos o faz por não ter conversado com o familiar sobre o assunto e, por conta disso, não saber se era vontade do indivíduo ou não. Por essa razão, falar sobre doação de órgãos é muito importante. A palavra da pessoa é, nestes casos, a única garantia, alerta Noêmia. E comunicar isso à família pode, inclusive, ajudar no processo de superação da morte. "Doar é dar um sentido para a vida", afirma a presidente e fundadora da ONG, Lucia Elbern. “Está deixando que outras pessoas levem adiante um pulmão, um coração”, conclui. 

Adote um leito

De acordo com levantamento feito pela administração da casa, um leito da Pousada Solidariedade custa, em média, R$ 72 por dia. Com esse valor em vista, a organização lançou a campanha "Adote um leito". É possível, por meio desta ação, adotar um leito da casa pelo tempo que for viável: um dia, uma semana ou outro, a critério do interessado. Assim, ajudam-se pessoas que esperam por uma nova vida em Porto Alegre, levando conforto e esperança a quem está na fila por um transplante.

Para participar, basta depositar o valor com o qual deseja contribuir, de acordo com os dias que pretende adotar, na seguinte conta bancária: 

Banco Banrisul
Agência: 0015
Conta Corrente:  06.008585.0-0
CNPJ: 04.043.606/0001-65
Nome: Projeto Adote Um Leito 

Outras formas de ajudar

São muito bem-vindos na pousada itens como alimentos não perecíveis, produtos de higiene e limpeza, agasalhos (principalmente para hóspedes vindos do norte e do nordeste, que geralmente não têm roupas quentes suficientes para suportar o frio gaúcho), cobertores, roupas de cama e toalhas.

Colaborações de qualquer valor em dinheiro também podem ser depositadas na seguinte conta bancária:

Banco Banrisul
Agência: 1167
Conta Corrente:  06.008585.0-0
CNPJ: 04.043.606/0001-65
Nome: VIA Pró-Doações e Transplantes  

Mais sobre a ViaVida

A história da ViaVida iniciou em 1999. Martin, filho de Lucia, teve uma insuficiência renal aguda e entrou na lista de espera por um órgão, recebendo um novo rim aos 16 anos de idade – hoje com 36, Martin vive com saúde e tornou-se pai da menina Lara em agosto do ano passado. Percebendo a necessidade de ampliar a conscientização da sociedade acerca da importância da doação de órgãos, Lucia e outros voluntários começaram a realizar diversas atividades com esse propósito. O trabalho resultou na fundação da ONG ViaVida, em 29 de junho de 2000.

Contatos da ONG

Página no Facebook
Endereço: Rua São Mateus, 815, bairro Jardim do Salso. Porto Alegre.
Telefone: (51) 3333-4519
E-mail: via@viavida.org.br
Site: www.viavida.org.br
Instagram: @viavidadoacoesetransplantes

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Fonte: Leonardo Fidelix (Secom/TRT-RS)
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