Marca da Justiça do Trabalho da 4ª Região, composta por traços que formam, simultaneamente, as letras J e T entrelaçadas, e a representação de uma pessoa. A cor predominante é o azul escuro, mas também há detalhes em amarelo e verde nas letras J e T. Abaixo desse símbolo, vem o nome "Justiça do Trabalho" e, em letra menor, a identificação "TRT da 4ª Região (RS)" Selo Diamante no Prêmio CNJ de Qualidade 2025
Publicada em: 26/10/2026 11:48. Atualizada em: 26/10/2026 11:48.

“Das Águas Divinas” à imigração: exposição no TRT-RS retrata a Ijuí indígena

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Imagem geral da abertura da exposição. A imagem mostra um grupo de pessoas conversando reunidas à mesa do coquetel à direita. E a exposição de quadros à esquerda.O Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região inaugurou, na quinta-feira (22/10), a mostra de quadros “Das Águas Divinas”, do artista Valdenar Gonçalves. 

A exposição reúne 11 obras sobre populações historicamente marginalizadas na região do rio Ijuí e contou com a organização do Memorial do TRT-RS.

As obras ficam expostas na Galeria Lenir Heinen, no Foro Trabalhista de Porto Alegre, até 18 de novembro, com visitação aberta ao público de segunda a sexta-feira, das 10 às 16h.

A abertura teve a contribuição de Kizzy Rodrigues, que, assim como o artista, procura trazer em seu trabalho o resgate histórico. Ela trabalha com eventos e encomendas de produtos culinários, tendo como eixo a valorização da cultura alimentar africana, na perspectiva afro-brasileira.

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Caboclos e lagartos

A imagem mostra uma mulher de costas observando as obras.As pinturas de Valdenar resgatam a história de populações que viviam às margens do rio Ijuí antes das migrações que transformaram a região em colônia. O interesse em retratar a identidade e a cultura dos caboclos – grupo social que habitava a localidade – foi motivada pela ascendência do artista e sua necessidade de contar sobre a relação especial desses grupos indígenas com o rio e a natureza.

Valdenar Gonçalves conta que suas produções artísticas surgiram de uma pesquisa que durou cerca de dois anos. Segundo o pintor, “Ijuí” era como os indígenas chamavam o rio, que em uma tradução livre significaria “rio das águas divinas ou rio das águas claras”

Imagem das obras da série "os comedores de lagartos". Na imagem estão dispostos dois quadros amarelos com moldura em madeira, a tela retrata crianças brincando com balões.
Quadros da série "Os Comedores de Lagartos". 

Ganhando uma série de pinturas à parte, “Os Comedores de Lagartos” ou “Os Lagartos” é uma coletânea de obras que retrata as crianças que são reflexos desses caboclos – crianças pobres que vivem em zonas periféricas. Para o autor das obras, a infância retratada compartilha dois “universos”, tanto o local dos povos originários, quanto o ambiente transformado em colônia.

Os quadros são marcados por cores intensas, tendo destaque para os tons de roxo. O artista afirma que a escolha dessa cor foi motivada para diferenciar os caboclos de nós. “A minha intenção é mostrar que eles são diferentes. Eles estão mais conectados com a natureza do que os humanos. Naquela época, eles viviam em sinergia com a natureza. Hoje, a natureza virou a plantação de soja”, explicou.

O artista

Imagem de Valdenar ao lado de um de seus quadros.
Valdenar Gonçalves

Natural de Ijuí, Valdenar Gonçalves é formado em Biologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e desde a infância cultiva o interesse pela pintura e pelo desenho. 

Já participou de diversas exposições, incluindo “Retratos do Imaginário”, no TRT-RS. Sua produção concentra-se na representação de pessoas negras, explorando questões relacionadas à identidade, à memória e à valorização de sujeitos historicamente pouco representados nas artes visuais.

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Fonte: Laura Barbosa (Secom/TRT-RS)
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