Marca da Justiça do Trabalho da 4ª Região, composta por traços que formam, simultaneamente, as letras J e T entrelaçadas, e a representação de uma pessoa. A cor predominante é o azul escuro, mas também há detalhes em amarelo e verde nas letras J e T. Abaixo desse símbolo, vem o nome "Justiça do Trabalho" e, em letra menor, a identificação "TRT da 4ª Região (RS)" Selo Diamante no Prêmio CNJ de Qualidade 2025
Publicada em: 03/08/2026 10:49. Atualizada em: 03/08/2026 10:49.

Sarau no TRT-RS destaca o protagonismo de mulheres negras e a luta contra racismo e sexismo

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Destaque da poesia falada em Porto Alegre
 Mikaa, destaque da poesia falada em Porto Alegre.

O Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS) sediou, na quarta-feira (29/07), o Sarau da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha - Vozes da Ancestralidade, Memória, Trabalho e Resistência. O evento aconteceu no Espaço Memorial do Foro Trabalhista. A programação contou com a presença de artistas e do público geral.

Em referência ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e ao Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra — celebrados em 25 de julho — o sarau teve a realização da Assessoria de Promoção ao Trabalho Decente e dos Direitos Humanos (Asprodec), do Coletivo Negro e do Memorial, com o apoio do Comitê de Equidade Gênero e Diversidade do TRT-RS.

O encontro se organizou em uma roda intimista de apresentações para o público, com cadeiras e assentos de almofada e uma lousa eletrônica que homenageou com fotos as servidoras, estagiárias e trabalhadoras mediante terceirização do tribunal. Também proporcionou, no Espaço Memorial, a exposição de pinturas da artista visual Elisângela Soares.

Apresentações e pronunciamentos

O início do evento aconteceu de maneira espontânea com a performance da poeta e slammer Mikaa, interpretando a letra da música “Maria da Vila Matilde” de Elza Soares. A artista fez outras duas apresentações durante a noite. 

Em seguida, houve pronunciamentos, iniciando pela fala da servidora Olívia Evaristo Cunha, representante do Coletivo Negro do TRT-RS. Ela falou sobre a importância de promover discussões sobre a negritude de maneira frequente, sem se ater somente ao dia 20 de novembro. Dirigiu sua fala a todas as mulheres negras presentes e disse: “Quando uma mulher negra se movimenta, toda uma estrutura se move com ela. Que a gente nunca se esqueça da nossa força, da nossa coragem e da nossa potência, nós somos o sonho das nossas ancestrais.”

No discurso da servidora Janaína Costa Teixeira, do Comitê de Equidade, Gênero, Raça e Diversidade do TRT-RS, o sarau foi referido como um marco temático necessário para cumprir o compromisso de promover práticas inclusivas de enfrentamento ao racismo e ao sexismo.

A desembargadora Rosane Serafini Casa Nova, coordenadora da Comissão de Gestão da Memória, ressaltou  a importância de um espaço e um evento que é mais um lugar de luta das mulheres negras.

Presidente Alexandre Corrêa da Cruz.jpeg
Alexandre Corrêa da Cruz

Em seu pronunciamento, o presidente do TRT-RS, desembargador Alexandre Corrêa da Cruz, pontuou o desafio de cumprir a devida homenagem às mulheres negras, enquanto um homem branco que ocupa o lugar da Presidência do TRT-RS.

O presidente falou sobre o dever de reconhecer o lugar social e institucional que ocupa, a responsabilidade histórica e o rigor ético necessário para compreender que as estruturas que lhe conferem autoridade e legitimidade não distribuíram historicamente poder e oportunidade de forma igual. Ressaltou o compromisso com o enfrentamento do silenciamento histórico das mulheres negras para a construção da sociedade. “Minha mais profunda reverência e meu respeito à história, à escrita, à voz e à existência de cada mulher negra aqui celebrada, e de maneira muito especial às mulheres negras deste tribunal”, declarou. 

O coletivo de estudantes leva o tema da pobreza menstrual
O coletivo de estudantes também leva o tema da pobreza menstrual
e saúde sexual para crianças e adolescentes.

Sarau

Dando abertura ao sarau, o grupo Garotas de Vermelho fez sua apresentação. As estudantes encenaram uma performance sobre a cultura indígena, em referência ao povo Tupi. Garotas de Vermelho é uma iniciativa do coletivo Luísa Marques da Escola Municipal de Ensino Fundamental Saint-Milaire.

Com a participação ativa de todos, o encontro cultural contou com a música da atriz, cantora, musicista e arte-educadora Pâmela Amaro. A artista tocou samba, que foi acompanhado com empolgação pelos presentes.

Seguiram-se atividades de leitura coletiva de cordel e leitura de fichas pelo público. Os participantes foram incitados ao diálogo, a partir de reflexões, dicas e provocações.  

No fim do evento, a lousa digital exibiu fotos das mulheres negras do quadro de servidoras, estagiárias e trabalhadoras mediante terceirização do TRT-RS. Ainda contou com a fala de encerramento da cerimonialista e uma última apresentação da cantora Pâmela Amaro.

Em 2022, recebeu o prêmio Açorianos de Música
Em 2022, Pâmela recebeu o prêmio Açorianos de Música, como Intérprete
de MPB.

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Fonte: Laura Barbosa (Secom/TRT-RS). Fotos: Tânia Meinerz.
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