Marca da Justiça do Trabalho da 4ª Região, composta por traços que formam, simultaneamente, as letras J e T entrelaçadas, e a representação de uma pessoa. A cor predominante é o azul escuro, mas também há detalhes em amarelo e verde nas letras J e T. Abaixo desse símbolo, vem o nome "Justiça do Trabalho" e, em letra menor, a identificação "TRT da 4ª Região (RS)" Selo Diamante no Prêmio CNJ de Qualidade 2025
Publicada em: 11/06/2026 17:21. Atualizada em: 12/06/2026 18:36.

Livros que abrem mundos: TRT-RS leva bibliotecas de Direitos Humanos a quatro escolas de Porto Alegre

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Início do corpo da notícia.
A foto mostra várias crianças sentadas de costas e outras pessoas adultas ao fundo de pé.
Inauguração da biblioteca da Escola Municipal Dolores Alcaraz Caldas.

Há inaugurações que entregam móveis, equipamentos ou estruturas. E há aquelas que entregam possibilidades.

Nesta semana, estudantes de quatro escolas da rede municipal de Porto Alegre receberam um presente capaz de atravessar gerações: bibliotecas especializadas em Direitos Humanos.

Entre contações de histórias, rodas de conversa, apresentações artísticas, poesias, perguntas sobre o mundo do trabalho e cerimônias simbólicas de inauguração, o Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS) levou para dentro das escolas um acervo pensado para provocar reflexões sobre igualdade, diversidade, cidadania, respeito e proteção da infância.

A iniciativa integra o projeto Geração Consciente, desenvolvido pelas gestoras regionais do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil e de Estímulo à Aprendizagem do TRT-RS, desembargadora Rejane Souza Pedra e juíza Marcela Casanova Viana Arena. A proposta foi selecionada em edital nacional promovido pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) e busca aproximar a Justiça do Trabalho da comunidade escolar por meio de ações educativas, culturais e pedagógicas voltadas à defesa dos direitos de crianças e adolescentes.

Mais do que uma atividade pontual, o projeto foi concebido para deixar um legado permanente. As bibliotecas inauguradas permanecerão nas escolas como espaços de consulta, descoberta e formação cidadã.

A comitiva do TRT-RS foi assim formada: desembargador Alexandre Corrêa da Cruz (presidente); desembargadora Brígida Joaquina Charão Barcelos (coordenadora da Comissão de Direitos Humanos e Trabalho Decente); desembargadora Rejane Souza Pedra (gestora regional do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil e de Estímulo à Aprendizagem); juíza Marcela Casanova Viana Arena (gestora regional do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil e de Estímulo à Aprendizagem); assessora-chefe da Assessoria de Promoção do Trabalho Decente e dos Direitos Humanos (Asprodec), Roberta Liana Vieira; e as servidoras Laís Cristina Gross Gerhardt e Gabriela Milani Leal, da equipe da Asprodec.

Municipal Professora Leopolda Barnewitz
Escola Municipal Professora Leopolda Barnewitz.

Primeiras páginas

A primeira parada ocorreu na Escola Municipal Professora Leopolda Barnewitz (confira aqui as fotos do eventoAbre em nova aba), na Cidade Baixa.

Ainda marcada pelos impactos da enchente de 2024 e em processo de adaptação após a municipalização, a escola vive uma fase de reconstrução física e pedagógica. Em meio às obras, um armário instalado na entrada da instituição tornou-se, simbolicamente, uma porta para novos universos.

Antes do desenlace da fita, estudantes do projeto Clube de Mitologia apresentaram trabalhos desenvolvidos em atividades ligadas à Educação para as Relações Étnico-Raciais e aos Direitos Humanos. Cartazes coloridos ocupavam as paredes e revelavam pesquisas, leituras e debates já incorporados ao cotidiano escolar.

A servidora Laís Cristina Gross Gerhardt apresentou às crianças o papel da Justiça do Trabalho, enquanto a desembargadora Brígida Joaquina Charão Barcelos conversou com os estudantes sobre igualdade, cidadania e proteção à infância.

“A criança tem direito de viver a infância, estudar, brincar e sonhar. Lugar de criança é na escola, não no trabalho”.
Desembargadora Brígida Joaquina Charão Barcelos
Coordenadora da Comissão de Direitos Humanos e Trabalho Decente do TRT-RS

Ao lado da futura biblioteca, os alunos também apresentaram trabalhos desenvolvidos nos projetos coordenados pelas professoras Daniele Machado Vieira e Bruna Diedrich. Um dos destaques foi o projeto “Carnavais: a escola desfila conhecimento”, inspirado na trajetória de Carolina Maria de Jesus.

“Vocês vão adorar os livros que vieram. Vocês vão se reconhecer em muitas histórias”.
Carolina de Campos Derós
Diretora da Escola Municipal Professora Leopolda Barnewitz

Depois do corte simbólico da fita, cada criança foi convidada a escolher um livro. Muitas se sentaram imediatamente para iniciar a leitura.

Diversidade

A foto mostra crianças de costas e a comitiva do TRT-RS falando com os alunos.
Escola Municipal Espírito Santo.

Na tarde do mesmo dia, a comitiva chegou à Escola Municipal Espírito Santo (confira aqui as fotos do eventoAbre em nova aba), no bairro Glória.

Municipalizada recentemente, a instituição passa por um processo de reorganização de seus espaços. O novo acervo foi instalado na sala EEABI (Espaço Educativo Afro-Brasileiro e Indígena), ambiente dedicado à valorização da diversidade, das relações étnico-raciais e dos direitos humanos.

Ali, os livros passaram a dialogar diretamente com um espaço já construído para promover pertencimento, identidade e respeito às diferenças.

“Criança não pode trabalhar. O trabalho infantil é aquele que afasta as crianças da escola e compromete o futuro delas”.
Desembargadora Rejane Souza Pedra
Gestora regional do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil e de Estímulo à Aprendizagem

Ao conversar com os estudantes, a desembargadora explicou a diferença entre colaborar nas tarefas domésticas e o trabalho infantil, reforçando a importância da permanência na escola e da proteção à infância.

“O livro vai abrir o mundo de vocês, e quem fez a curadoria desses livros pensou em vocês. Vocês precisam se enxergar neles”.
Adriana Schneider Gomes
Vice-diretora da Escola Municipal Espírito Santo

Durante a atividade, a servidora Gabriela Milani Leal utilizou a imagem de um guarda-chuva para traduzir às crianças um conceito muitas vezes complexo.

“Os direitos humanos são como um grande guarda-chuva que protege todo mundo”.
Gabriela Milani Leal
Servidora da Asprodec do TRT-RS

Pouco depois, a fita foi desatada e a nova biblioteca passou oficialmente a integrar o cotidiano da escola.

Portas abertas

O segundo dia de inaugurações levou a iniciativa à Restinga, onde duas escolas receberam os novos acervos.

A foto mostra três pessoas em pé e crianças de costas assistindo uma fala.
Escola Municipal Nossa Senhora do Carmo.

Na Escola Municipal Nossa Senhora do Carmo (confira aqui as fotos do eventoAbre em nova aba), o recreio deu lugar à atenção silenciosa dos estudantes reunidos diante da nova biblioteca. Em uma ampla sala destinada ao acervo, livros recém-chegados passaram a dividir espaço com projetos pedagógicos já desenvolvidos pela comunidade escolar.

Ao conversar com as crianças, o presidente do TRT-RS destacou que direitos humanos não são conceitos distantes, mas princípios ligados à vida cotidiana de cada pessoa.

“Toda pessoa merece respeito, dignidade, proteção e oportunidades”.
Desembargador Alexandre Corrêa da Cruz
Presidente do TRT-RS

A escola desenvolve neste ano um projeto voltado ao incentivo à leitura, o que tornou a chegada da biblioteca ainda mais significativa para a comunidade escolar.

“Os livros chegam em um momento muito especial, porque estamos construindo um projeto de leitura para envolver toda a comunidade escolar".
Fancy Borges
Diretora da Escola Municipal Nossa Senhora do Carmo

Estudantes participaram do desenlace da fita ao lado da comitiva e conheceram mais de perto os livros que agora passam a integrar a rotina da escola.

Poesia e futuro

A foto mostra várias crianças sentadas de costas e outras pessoas adultas ao fundo de pé.
Escola Municipal Dolores Alcaraz Caldas.

À tarde, a Escola Municipal Dolores Alcaraz Caldas (confira aqui o álbum de fotosAbre em nova aba) transformou a inauguração em uma celebração cultural.

Antes mesmo do início da cerimônia, estudantes realizaram apresentações artísticas e integrantes do grupo Poetas Dolores emocionaram o público com versos autorais sobre identidade, pertencimento e autoestima.

Entre eles estava a estudante Valentina, que recebeu aplausos ao declamar poesias sobre orgulho, resistência e autoconhecimento.

O clima de celebração abriu caminho para uma conversa sobre cidadania e direitos.

“Hoje a gente não veio falar apenas dos direitos dos trabalhadores. A gente veio falar de direitos humanos”.
Roberta Liana Vieira
Assessora-chefe da Asprodec do TRT-RS

Os estudantes também fizeram perguntas sobre profissões, mercado de trabalho e futuro. As respostas deram origem a um diálogo espontâneo que aproximou ainda mais a Justiça do Trabalho da realidade das crianças.

A juíza Marcela Casanova Viana Arena participou da atividade representando a gestão regional do programa de combate ao trabalho infantil.

Aluna valentina lendo poema e crianças de costas na frente.
Leitura de poema pela aluna Valentina, da Escola Municipal Dolores
Alcaraz Caldas.

“Quando vocês estiverem lendo os livros, trazendo dúvidas e perguntas para a sala de aula, tudo isso será aprendizado. A gente pode encontrar muitas respostas nos livros que estão chegando à escola”.
Carla Bandeira
Diretora da Escola Municipal Dolores Alcaraz Caldas

Acervo

As bibliotecas reúnem 70 títulos selecionados para estimular reflexões sobre cidadania, diversidade, igualdade racial, povos indígenas, democracia, inclusão e direitos humanos.

Entre as obras estão "A Árvore Generosa", "Amoras", "Meu Nome é Malala", "Mandela", "Enciclopédia Negra para Jovens Leitores", "Democracia", "Sou Indígena!" e "Vote Nelas".

Confira aqui a lista de livros disponíveis.Abre em nova aba

Próximos capítulos

A inauguração das bibliotecas representa a primeira etapa do projeto Geração Consciente.

A iniciativa seguirá aproximando estudantes da Justiça do Trabalho por meio de diferentes atividades educativas. Um dos destaques é o eixo “O Futuro é Jovem” - uma iniciativa do Comite de Equidade de Gênero, Raça e Diversidade -, que levará alunos ao TRT-RS para visitas guiadas, participação em um quiz interativo sobre direitos humanos e contato direto com o funcionamento da instituição. Os estudantes também receberão kits escolares e participarão de atividades voltadas à reflexão sobre cidadania, igualdade e proteção da infância.

A programação inclui ainda ações de mediação de conflitos vinculadas ao projeto Paz nas Escolas e uma audiência simulada sobre trabalho infantil, permitindo que os jovens compreendam, na prática, as consequências da exploração do trabalho precoce e o papel da Justiça do Trabalho na defesa dos direitos fundamentais.

Os livros agora têm endereço nas bibliotecas das escolas. A expectativa, porém, é que suas histórias ultrapassem as estantes, percorram corredores, salas de aula e rodas de conversa, ajudando a formar leitores críticos, cidadãos comprometidos e futuros trabalhadores conscientes de seus direitos.

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Fonte: Texto Eduardo Matos, Gabriel Moura e Priscilla Soares, e fotos Guilherme Lund (Secom/TRT-RS)
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