Encontro de Segurança Institucional debate capacitação, integração entre órgãos e modernização da Polícia Judicial
O 5º Encontro Nacional de Segurança Institucional da Justiça do Trabalho prosseguiu, na tarde de quinta-feira (28/5) e na manhã de sexta-feira (29/5), com debates sobre qualificação profissional, boas práticas da Polícia Judicial, integração entre órgãos de segurança e modernização das políticas de segurança institucional no Judiciário.
Entre os temas discutidos, estiveram o treinamento contínuo dos agentes, a criação de protocolos operacionais, o atendimento a ocorrências com pessoas em crise de saúde mental, o fortalecimento da inteligência no combate ao crime organizado e a padronização de procedimentos.
A programação do encontro teve início na manhã de quinta-feira (28/5), reunindo autoridades da segurança pública e gestores(as) da área de segurança institucional dos tribunais trabalhistas no Plenário do TRT-RS. O encontro se encerra na tarde desta sexta-feira (29/5) com uma visita institucional à fábrica de armas Taurus, em São Leopoldo.
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Qualificação profissional
O secretário de Polícia Judicial do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Hipólito Alves Cardozo, destacou a importância do treinamento contínuo para os agentes de segurança. Segundo ele, a capacitação da Polícia Judicial tem o desafio de transformar pessoas por meio da educação, mesmo diante de dificuldades como a falta de recursos humanos e materiais.
Durante a palestra, Cardozo apresentou ações bem-sucedidas, desafios enfrentados e estratégias de intervenção adotadas na área. Também afirmou que o treinamento ajuda a economizar tempo, reduzir falhas e preservar vidas.
“Se almejamos uma polícia pronta, com alta capacidade técnica e especializada, as decisões gerenciais precisam ser tomadas agora. Só consigo fazer um novo futuro com diagnósticos e intervenções”, declarou.
A mediação ficou a cargo do chefe da Divisão de Polícia Judicial do TRT-RS, Marcelo Della Pace Dornelles.
Protocolos operacionais
Na abertura do painel sobre boas práticas, o diretor da Secretaria de Polícia Judicial do TRT-PE, Rodrigo Hazin, falou sobre a experiência do seu regional com a instituição de protocolos operacionais. Os protocolos são documentos técnicos que estabelecem linhas gerais para a atuação dos policiais judiciais.
A instituição dos protocolos passa por três fases: a elaboração conjunta, a capacitação e a implementação efetiva. “Com os protocolos temos a uniformidade dos procedimentos, o que reduz a subjetividade das ações e faz com que elas sejam mais previsíveis e alinhadas com normativos legais”. Outra boa prática mencionada por Rodrigo Hazin foi a modernização e o aparelhamento da equipe com arsenais de menor potencial ofensivo e de defesa.
Capacitação continuada
O gestor da Polícia Judicial do TRT-RJ, Jedaías Emerson Ferreira, destacou a importância da formação, da capacitação continuada e do condicionamento físico para o fortalecimento da segurança institucional. Segundo ele, o tribunal investiu na criação de um corpo próprio de instrutores especializados em treinamentos de armamento e tiro, inteligência, contrainteligência e defesa pessoal. O projeto tem como objetivo ampliar a autonomia e a preparação técnica da equipe de segurança do tribunal.
A iniciativa também resultou na criação de um centro de treinamento e condicionamento físico para a Polícia Judicial. “Não tem como uma polícia evoluir sem que o treinamento seja uma prioridade da administração”, ressaltou Jedaías.
Integração
O superintendente substituto da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Rio Grande do Sul, Felipe Barth, destacou a importância da inteligência e da integração entre diferentes órgãos públicos nas ações de segurança. Ele explicou que o trabalho da PRF vai além da fiscalização de trânsito e inclui também o combate ao crime nas rodovias, sempre com atenção à garantia dos direitos humanos nas abordagens e operações.
Entre os exemplos mencionados, falou sobre a atuação da PRF nos casos de bloqueio de rodovias. Barth afirmou que, nessas situações, a prioridade é a negociação com os envolvidos. “Foram 19 bloqueios de pistas entre maio e dezembro de 2004, após as enchentes. Seriam mais de 100 se não tivéssemos agido antes e se os órgãos não tivessem nos apoiado nessa conversa com o pessoal”. De acordo com o superintendente, todos os bloqueios foram resolvidos sem o uso de força.
Protocolo de atendimento
O subcomandante-geral da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, coronel Jorge Dirceu Abreu Silva Filho, apresentou o protocolo para atendimento de ocorrências envolvendo pessoas em crise de saúde mental. Durante a palestra, ele destacou o aumento de 80% nos chamados diários recebidos pela Brigada Militar relacionados a esse tema, de 2024 para 2025. “Havia estudos e preparo para atender a saúde mental do efetivo interno, mas também viu-se a necessidade de atrelar outras ferramentas para atender essas ocorrências”, observou.
Segundo o coronel, o projeto foi desenvolvido para reduzir riscos e garantir mais segurança técnica, jurídica e física durante os atendimentos. A iniciativa também buscou estabelecer o uso de nomenclaturas adequadas para esse tipo de situação.
A elaboração do protocolo e do manual contou com a articulação da Secretaria de Segurança Pública, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e de integrantes da rede de atenção psicossocial. O objetivo é utilizar o material na capacitação de todo o efetivo das forças de segurança do Estado. “O impacto final na segurança pública tem sido uma atuação mais técnica, legal, padronizada e humanizada”, observou o palestrante.
A mediação foi da diretora-geral do TRT-RS, Rejane Carvalho Donis.
Políticas de Segurança
A programação da manhã de sexta-feira (29/5) iniciou com a fala do ex-secretário de Segurança do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), Elton José Boulanger da Silva. Ele apresentou as políticas de segurança da instituição e destacou projetos voltados à padronização da segurança institucional nos Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs).
Segundo o palestrante, a atuação da Polícia Judicial se apoia em três pilares: normas, protocolos e capacitação. “Trabalhando efetivamente nesses três pontos teremos o resultado esperado: a padronização e o fortalecimento da Polícia Judicial”, declarou.
Entre as iniciativas do CSJT, citou projetos para padronizar a identidade visual e as especificações técnicas das viaturas, além da unificação de procedimentos para aquisição e uso de veículos blindados. Também mencionou ações para organizar o regime de plantão e padronizar os comitês permanentes de segurança.
Outro destaque foi o projeto de criação de manuais de referência técnica para ações, protocolos, medidas e segurança de autoridades. A iniciativa deverá contar com a participação de gestores de todos os regionais. Ao final da exposição, Elton Silva elogiou o sistema Aegis, desenvolvido pelo TRT-RS, e informou que o CSJT pretende sugerir a adoção da ferramenta em outros tribunais regionais.
A exposição foi mediada pelo juiz Max Carrion Brueckner.
Modernização
O conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) João Paulo Santos Schoucair destacou os avanços na segurança institucional do Judiciário e o uso da inteligência no combate ao crime organizado.
Durante sua exposição, chamou atenção para o fortalecimento das facções criminosas no Brasil e para o impacto dessas organizações no país. “Temos que reafirmar nossa soberania e atuar isolando lideranças, impedindo o fluxo de comunicação e conhecendo o problema”, afirmou.
Ao abordar o tema dos avanços tecnológicos, Schoucair citou a criação da plataforma nacional Sinapses, desenvolvida pelo CNJ, em 2020, para armazenar, treinar e controlar modelos de Inteligência Artificial. Também mencionou a criação da Certidão Nacional Criminal, implementada em 2025, que padronizou o documento em todo o país.
No encerramento de sua fala, o conselheiro defendeu mais investimentos e a profissionalização da segurança institucional no Judiciário. “A Polícia Judicial não pode ficar desguarnecida. O Poder Judiciário precisa ser dono do seu perímetro”, afirmou.
A medição da última palestra ficou a cargo do coordenador do Comitê de Segurança Institucional do TRT-RS, desembargador João Paulo Lucena.
Central de Monitoramento
A progamação da manhã de sexta-feira (29/5) incluiu uma visita à Central de Monitoramento de Segurança 24 horas do TRT-RS, inaugurada em dezembro de 2025.
A estrutura integra o monitoramento de mais de mil câmeras distribuídas pela capital e pelo interior, melhora a capacidade de acionar serviços de emergência à distância e otimiza processos de controle de acesso nas unidades. A central foi apresentada pelo secretário de segurança institucional do TRT-RS, João Luis Peixoto da Silva, e pelo policial judicial Ronaldo do Espírito Santo.
A abertura das atividades também contou com uma apresentação da Orquestra Jovem do Rio Grande do Sul acompanhada pela servidora do TRT-RS e cantora Anna Paz.


