TRT-RS apresenta a ferramenta Galileu no Encontro de Integração em IA do Judiciário
O Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS) apresentou a ferramenta Galileu durante o IAJus 2026 – Encontro de Integração em Inteligência Artificial do Judiciário. O evento foi realizado na sexta-feira (24/4), na sede do Conselho Nacional de Justiça, em Brasília/DF.
Desenvolvido pela Justiça do Trabalho gaúcha, o Galileu é um sistema de inteligência artificial generativa que foi nacionalizado pelo Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) para uso em todos os TRTs.
A ferramenta auxilia juízes e desembargadores na elaboração de minutas de sentenças e acórdãos, além de contar com um módulo voltado à produção de despachos de admissibilidade de recurso de revista.
O sistema foi criado para reduzir tarefas repetitivas e burocráticas. Ele não realiza análise jurídica nem avalia provas. Sua função é atuar como apoio tecnológico, organizando informações do processo e facilitando a visualização dos fatos. O uso da ferramenta exige revisão humana em todas as etapas da elaboração das minutas.
Entre suas funcionalidades, o Galileu identifica os pedidos do processo, apresenta resumos e fornece subsídios que podem auxiliar na decisão. Ele mostra os modelos de texto usados pelo próprio gabinete do magistrado ou da magistrada, a jurisprudência consolidada do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e os precedentes qualificados sobre o tema.
Uso nacional
O sistema Galileu já está em funcionamento em todos os TRTs do país e acumula mais de 130 mil minutas produzidas. Entre fevereiro e março deste ano, houve um aumento de 68% no número de minutas elaboradas com apoio da ferramenta.
O Galileu foi apresentado no evento pelo servidor Frederico Oliveira Cardoso, chefe da Divisão de Inteligência Artificial do TRT-RS. A secretária-geral de tecnologia e inovação do tribunal, Natacha Moraes de Oliveira, que integra o Comitê Nacional de Inteligência Artificial do Judiciário, participou do encontro como mediadora de um painel sobre gestão administrativa.
Ética responsabilidade
Na abertura do IAJus 2026, o presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, afirmou que a tecnologia deve ser compreendida como instrumento de aprimoramento da prestação jurisdicional, sem renunciar à centralidade da pessoa humana.
“A inovação, quando guiada pela ética e pela responsabilidade institucional, não substitui o juiz ou a juíza, antes lhe presta um auxílio inestimável; não enfraquece a jurisdição; fortalece-a; não compromete direitos fundamentais, mas contribui para a sua efetivação”, ressaltou.


