TRT-RS destaca combate à violência de gênero em programação do Mês da Mulher
O Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS) realizou nessa quarta-feira (11/3) a cerimônia de abertura da programação alusiva ao Mês da Mulher.
O evento ocorreu no saguão do Prédio-Sede, em Porto Alegre, reunindo magistrados(as), servidores(as), representantes de entidades de classe e convidados(as).
Veja aqui as fotos do evento.Abre em nova aba
A cerimônia marcou também a abertura da exposição “Cartoons contra a Violência”, iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que reúne ilustrações de cartunistas brasileiras sobre a violência contra mulheres e meninas.
Por meio da linguagem gráfica e da charge, as obras retratam situações de violência e buscam provocar reflexão social sobre o tema. A mostra permanece aberta à visitação no saguão do Tribunal até 30 de março.
Durante o evento, foi apresentada ainda a campanha Banco Vermelho. A iniciativa funciona como memorial simbólico às vítimas de feminicídio e como alerta permanente para a prevenção da violência de gênero. Um banco está no saguão do TRT-RS e outro no Foro Trabalhista de Porto Alegre.
A programação incluiu a leitura de um texto da pintora mexicana Frida Kahlo, pela servidora Milena de Cássia Silva Oliveira. Também foram distribuídos leques da campanha “Fim da violência contra a mulher”, promovida pelo Comitê Gaúcho em apoio ao movimento global HeForShe, que busca engajar homens e meninos como agentes de mudança na promoção da igualdade de gênero.
A cerimônia também prestou homenagem à memória da juíza do Trabalho aposentada Andréa Saint Pastous Nocchi, falecida em 7 de março. Reconhecida pela atuação na defesa dos direitos humanos e das pautas de igualdade, a magistrada teve participação relevante na construção da política institucional de equidade de gênero, raça e diversidade do TRT-RS e atuou ativamente em iniciativas voltadas à promoção da justiça social e dos direitos das mulheres.
Participaram da solenidade o presidente do TRT-RS, desembargador Alexandre Corrêa da Cruz; o vice-presidente institucional e de atuação em demandas coletivas, desembargador Cláudio Antônio Cassou Barbosa; a corregedora regional, desembargadora Maria Madalena Telesca; a ouvidora da Mulher e das Ações Afirmativas do Tribunal, desembargadora Carmen Izabel Centena Gonzalez; a coordenadora da Comissão de Direitos Humanos e Trabalho Decente do TRT-RS, desembargadora Brígida Joaquina Charão Barcelos; a vice-coordenadora acadêmica da Escola Judicial do TRT-RS e juíza titular da 2ª Vara do Trabalho de Gramado, Maria Cristina Santos Perez; e a coordenadora executiva do Comitê Gaúcho Eles por Elas (HeForShe), Karen Lose.
Também estiveram presentes as juízas auxiliares da Presidência Luciana Caringi Xavier e Mariana Piccoli Lerina; a juíza auxiliar da Vice-Presidência Institucional e de Atuação em Demandas Coletivas, Maria Teresa Vieira da Silva; a juíza auxiliar da Vice-Presidência Jurisdicional, Aline Doral Stefani Fagundes; a juíza auxiliar da Corregedoria, Carolina Quadrado Ilha; o diretor do Foro da Justiça do Trabalho de Porto Alegre, juiz Luiz Antônio Colussi; a coordenadora do Cejusc de 2º Grau do TRT-RS, juíza Luciana Bohn Stanke; o coordenador do Cejusc de 1º Grau da Justiça do Trabalho no RS, juiz Fabrício Luckmann; a gestora do Programa de Equidade de Raça, Gênero e Diversidade e co-coordenadora do Comitê de Equidade de Gênero, Raça e Diversidade, juíza Lúcia Rodrigues de Matos; a secretária-geral da Presidência, Enilda Souza de Andrade; e a diretora-geral do Tribunal, Rejane Carvalho Donis.
Representando entidades e setores institucionais, participaram ainda Nadir da Costa Jardim, pelo Conselho dos Diretores de Secretaria do 1º Grau do TRT-RS (Coditra), e Márcia Angelita Coelho, coordenadora da Secretaria de Políticas Sociais do Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal e do Ministério Público da União no Rio Grande do Sul (Sintrajufe/RS).
Compromisso institucional com a igualdade
Ao abrir a cerimônia, o presidente do TRT-RS, desembargador Alexandre Corrêa da Cruz, destacou que o Dia Internacional da Mulher representa não apenas um momento de celebração, mas também de reflexão sobre os desafios que ainda persistem na busca por igualdade de direitos. Segundo ele, a data convida a sociedade a renovar compromissos com a construção de uma realidade mais justa e respeitosa para todas as pessoas.
Durante a fala, o magistrado também citou reflexões sobre a construção histórica das desigualdades de gênero, lembrando que as estruturas sociais e econômicas contribuíram para consolidar papéis que limitaram a autonomia feminina. Como parte da reflexão, ele leu um breve trecho do livro Outros Mundos Possíveis, da juíza do Trabalho Valdete Souto Severo, que analisa as relações entre capitalismo, trabalho e desigualdades de gênero. “A partir da consolidação do capitalismo, as mulheres viviam uma situação de exploração específica nas trocas econômicas e sociais”, citou.
Para o presidente, compreender esse processo é essencial para enfrentar a violência e promover mudanças culturais. Ele também fez referência à memória da juíza aposentada Andréa Saint Pastous Nocchi, destacando sua atuação na defesa dos direitos humanos e na construção de políticas institucionais voltadas à equidade no âmbito da Justiça do Trabalho.
“O Dia Internacional da Mulher recorda as conquistas alcançadas, mas também nos convoca a olhar com responsabilidade para os desafios que ainda persistem na construção de uma sociedade mais igualitária”, afirmou.
Direitos humanos e enfrentamento à violência
Coordenadora da Comissão de Direitos Humanos e Trabalho Decente do TRT-RS, a desembargadora Brígida Joaquina Charão Barcelos ressaltou a trajetória do Tribunal na promoção de pautas sociais e de direitos humanos. Segundo ela, a instituição tem histórico de atuação pioneira na valorização do trabalho das mulheres e na construção de espaços institucionais de debate sobre igualdade.
A magistrada também alertou para o aumento da violência contra mulheres, especialmente após a pandemia, e enfatizou a necessidade de mobilização permanente. “A luta é cotidiana”, afirmou, observando que o feminicídio e a violência doméstica seguem como desafios urgentes para a sociedade.
Engajamento social na campanha Eles por Elas
A coordenadora executiva do Comitê Gaúcho Eles por Elas (HeForShe), Karen Lose, explicou que o movimento foi criado pela ONU Mulheres com o objetivo de engajar homens e meninos na promoção da igualdade de gênero. Segundo ela, a transformação cultural depende tanto de políticas públicas quanto de mudanças nas relações cotidianas.
Karen destacou especialmente a necessidade de divisão das tarefas domésticas e de questionamento das estruturas patriarcais. “Transformar a sociedade também passa por atitudes simples do dia a dia”, afirmou, defendendo que homens participem ativamente da construção de relações mais igualitárias.
Lutas e conquistas
Representando as servidoras no Comitê Gestor de Equidade de Gênero, Raça e Diversidade do TRT-RS, Gabriela Lautenschlager ressaltou que falar do Mês da Mulher é reconhecer a trajetória histórica das lutas feministas e das conquistas alcançadas ao longo das últimas décadas.
Segundo ela, a misoginia muitas vezes se manifesta de forma silenciosa, por meio do silenciamento das mulheres, da desqualificação de suas vozes e da sobrecarga de trabalho invisível. Para Gabriela, enfrentar essas estruturas dentro das instituições é essencial para que a justiça seja efetivamente equânime.
Exposição e campanha Banco Vermelho
A ouvidora da Mulher e das Ações Afirmativas do TRT-RS, desembargadora Carmen Izabel Centena Gonzalez, apresentou a exposição “Cartoons contra a Violência” e explicou o significado da campanha Banco Vermelho. Segundo a magistrada, o banco funciona como um memorial simbólico às vítimas de feminicídio e como alerta permanente para a gravidade da violência de gênero.
Carmen também lembrou que o feminicídio continua sendo uma realidade em diferentes contextos sociais e ressaltou a importância de iniciativas institucionais de conscientização. Para ela, ações como a exposição e a campanha ajudam a provocar reflexão e a estimular o enfrentamento coletivo da violência contra mulheres. (Confira a íntegra do discursoAbre em nova aba)
Homenagem
A juíza Lúcia Rodrigues de Matos prestou homenagem à magistrada aposentada Andréa Saint Pastous Nocchi. Lúcia destacou que Andréa foi uma voz ativa na defesa dos direitos humanos e teve papel decisivo na construção da política de equidade de gênero, raça e diversidade no TRT-RS.
Segundo a magistrada, o trabalho iniciado por Andréa continua inspirando ações institucionais em todo o país, inclusive na Justiça do Trabalho. “Pelo trabalho, pelo afeto e pelo empenho de mulheres como ela, estamos aqui hoje”, afirmou, destacando que o legado da colega permanece presente nas iniciativas de promoção da igualdade.
Programação do Mês da Mulher
Ao longo de março, o Tribunal promoverá diversas iniciativas relacionadas ao tema. Entre elas, o curso a distância “Violência contra a mulher juíza e a mulher servidora”, de 4 a 24 de março; a ação “Elas em Pauta”, voltada à priorização da conciliação em processos judiciais com reclamantes mulheres, de 9 a 13 de março; e a exposição “Cartoons contra a Violência”.
Também estão previstas atividades como um Círculo de Construção de Paz, voltado ao público feminino da instituição, oficinas de conduta preventiva e defesa pessoal para mulheres e, no dia 27 de março, a roda de conversa “Vivências, pluralidade e lutas feministas”. Na mesma data, será realizada a aula inaugural da Escola Judicial do TRT-RS, com a palestra “Mulheres e democracia na América Latina”. As inscrições serão divulgadas em breve.
A programação busca promover reflexão, sensibilização e fortalecimento de ações institucionais voltadas à equidade de gênero e ao enfrentamento da violência contra as mulheres.

