Imagem com o número 100 junto ao símbolo do sistema PJe
Publicada em: 01/05/2026 08:22. Atualizada em: 01/05/2026 09:01.

85 anos: Confira um breve histórico da Justiça do Trabalho gaúcha

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Início do corpo da notícia.
foto histórica da rua general câmara
Primeira sede do CRT4, à direita. 

No dia 1º de maio de 1941, data da instalação oficial da Justiça do Trabalho no Brasil, também foi realizada a solenidade de instalação do Conselho Regional do Trabalho (CRT) da 4ª Região, sediado na rua General Câmara, nº 261, no centro de Porto Alegre.

O evento foi presidido pelo primeiro presidente do CRT da 4ª Região, juiz Djalma de Castilho Maya, e contou com a participação de autoridades políticas, religiosas, representantes sindicais, funcionários públicos, advogados e outros convidados. 

Essa instalação oficial da Justiça do Trabalho no Brasil e no Rio Grande do Sul resultou de longo processo – estadual, nacional e internacional –, que inclui, entre outros fatores, a luta dos trabalhadores por direitos; a base cultural positivista dos governantes gaúchos; o estabelecimento e difusão da doutrina social da Igreja Católica consubstanciada na Encíclica Rerum Novarum (1891); a crise geral da ordem liberal acirrada após a Primeira Guerra Mundial e a resposta antiliberal que diversos grupos sociais engendraram como resposta a ela; as experiências internacionais de regulamentação do trabalho, como as constituições do México (1917) e de Weimar (1919); e a montagem de um novo pacto político após 1930, que tinha o objetivo de unificar e modernizar o Estado brasileiro e industrializar o País, transformando-o em uma nação desenvolvida, o que implicava, nos termos da época, regulamentar o capital e o trabalho.

Composição

página escrita a mão
Ata de instalação do CRT4

A Justiça do Trabalho de então ainda era vinculada ao Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio. A instituição era composta pelo Conselho Nacional do Trabalho, com sede no Rio de Janeiro, pelos Conselhos Regionais do Trabalho - CRTs (segundo grau), com sede em algumas capitais, e pelas Juntas de Conciliação e Julgamento - JCJs (primeiro grau).

Sediado na capital gaúcha, o CRT da 4ª Região jurisdicionava, também, o Estado de Santa Catarina, contando com duas Juntas de Conciliação e Julgamento (JCJs), uma em Porto Alegre e uma em Florianópolis.

A composição do CRT da 4ª Região era de um presidente e quatro vogais: um representante dos empregados, um representante dos empregadores e dois alheios aos interesses profissionais.

As JCJs, por sua vez, eram compostas por um presidente e dois vogais: um representante dos empregados e outro dos empregadores. No total, 13 servidores atuavam na Justiça do Trabalho. Em 1941, foram recebidos 1.103 processos e julgados 827 pelas JCJs. No CRT, foram recebidos 180 e julgados 71 processos. Em 25 de junho de 1944, foi instalada a primeira JCJ no interior do Estado, na cidade de Rio Grande/RS.

Integração ao Judiciário

imagem histórica de prédio antigo
Imediações da sede da Justiça do Trabalho da década de 1960

A Justiça do Trabalho integra-se ao Poder Judiciário a partir do Decreto-Lei 9.797/1946 e da Constituição de 1946, sendo extintos os vogais alheios aos interesses profissionais.

O CRT da 4ª Região passou a ser denominado Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS). Manteve-se a denominação das JCJs, Juntas de Conciliação e Julgamento.

Em 1946, a 4ª Região já contava com oito JCJs, em Porto Alegre (três), Florianópolis, Rio Grande, São Jerônimo, São Leopoldo e Pelotas.

As décadas de 50 e 60 foram marcadas pela ampliação da composição do TRT-RS e do número de JCJs. Tal aumento também aparece nos números processuais. Em 1961, foram ajuizados nas JCJs da 4ª Região 13.685 processos e foram julgados 13.413. Em 1968, a composição do TRT-RS passou para 12 juízes (oito togados e quatro classistas).  Criaram-se duas turmas, cujos trabalhos iniciaram em junho do mesmo ano, sendo os primeiros presidentes os juízes Jorge Surreaux, da 1ª Turma, e Mozart Victor Russomano, da 2ª Turma. No final da década de 60, a 4ª Região já contava com 42 JCJs, sendo 10 em Porto Alegre, 9 em Santa Catarina e 23 no Interior do Rio Grande do Sul.

Crescimento

desembargadores em sessão
Sessão do Tribunal Pleno realizada na década de 80

Em 1975, a 4ª Região passou a abranger apenas o Estado do Rio Grande do Sul, a partir da criação do TRT da 9ª Região, com sede em Curitiba e jurisdição nos estados do Paraná e Santa Catarina.

Ainda nos anos 70, a crescente demanda ao Judiciário Trabalhista gaúcho fez com que o TRT-RS partisse em busca de espaços de trabalho mais adequados às necessidades daquela época. Em 1979, foi inaugurada a sede atual do Foro Trabalhista de Porto Alegre, na Av. Praia de Belas, nº 1.432.

Em 1981, as estatísticas processuais continuaram mostrando um TRT-RS em pleno crescimento. Foram recebidos nas JCJs 66.002 processos e julgados 54.648. No TRT, os números mostram 7.076 recebidos e 6.446 processos julgados. Já em dezembro de 1984, o TRT da 4ª Região inaugurou o prédio da Avenida Praia de Belas, nº 1.100, em Porto Alegre, onde está sediado até o presente ano. Trata-se do seu oitavo endereço, desde 1941. Em 1985, é eleita a juíza Alcina Tubino Ardaiz Surreaux, primeira mulher a presidir o TRT da 4ª Região, no biênio 85/87.

Tecnologia

desembargadores de perfil usando computador
Inauguração do sistema e-Jus, em sessão de julgamentos
de 2003 

A década de 90 marcou o avanço da Instituição na área de informática. Em maio de 1991, o TRT-RS iniciou a informatização dos gabinetes dos Juízes do Tribunal, com os primeiros microcomputadores e impressoras. No mesmo ano, o Sistema de Distribuição de Feitos (SDF) foi implantado no Foro de Porto Alegre. No Interior, a implantação deu-se a partir de maio de 1992.

Ainda em 1992, Porto Alegre passou a contar com 30 JCJs e o TRT-RS, com 36 juízes.

Em junho de 1996, o TRT-RS inaugurou seu site na Internet e finalizou a informatização de 100% das unidades judiciárias de primeiro grau, com rede local.

Em 1996, foram criados novos órgãos julgadores no TRT-RS, a Seção de Dissídios Coletivos (SDC) e as duas Seções de Dissídios Individuais (SDIs).

Em dezembro de 1999, as então Juntas de Conciliação e Julgamento passaram definitivamente a chamar-se Varas do Trabalho (VT), em face da extinção da Representação Classista através da Emenda Constitucional nº 24 daquele ano.

Ampliação da competência

público de costas no auditório da escola judicial
Aula magna da Escola Judicial no Auditório Ruy Cirne Lima
em 2017

Em 2001, já com 60 anos de sua criação e toda informatizada em primeira instância, os números da Justiça do Trabalho no RS revelam a existência de 219.430 processos recebidos em primeiro grau e 249.874 julgados pelas Varas do Trabalho. No Tribunal, 41.367 foram os processos recebidos, sendo julgados 43.977 processos.

Em 2004, a Emenda Constitucional nº 45 ampliou a competência da Justiça do Trabalho para processar e julgar não somente as demandas envolvendo lesão aos direitos dos empregados, mas as decorrentes das relações de trabalho em geral.

Em 2005, o TRT-RS define a 30ª Vara do Trabalho de Porto Alegre como o Vara especializada para as ações que versarem sobre acidente do trabalho. Em março de 2007, seguindo determinação da Emenda nº 45, foi aprovada a criação da Escola Judicial do TRT-RS, voltada à formação e qualificação contínua de magistrados e servidores.

Processo eletrônico

Tela ligada no canto esquerdo e duas pessoas no canto direito olhando para ela
Chegada do PJe no RS, em 2012

Em 9 de dezembro de 2011, tomou posse a primeira Administração do TRT-RS composta exclusivamente de mulheres, fato que viria a se repetir para a gestão seguinte, empossada em 13 de dezembro de 2013.

Ainda em 2011, o TRT-RS criou a Seção Especializada em Execução, órgão de segundo grau específico para julgar os recursos da fase de execução. Em setembro de 2012, o TRT-RS iniciou a implantação do Processo Judicial Eletrônico (PJe), na 6ª VT de Caxias do Sul. Em 16 de outubro de 2015, o PJe já estava instalado em todo o primeiro grau.

Em 2013, o TRT-RS recebeu da Unesco o Selo “Memória do Mundo”, que atribuiu ao seu acervo a condição de Patrimônio da Humanidade,  inclusos todos os processos trabalhistas do período de 1935 a 2000. 

Centros de conciliação

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Cejusc do Foro Trabalhista de Porto Alegre

Em maio de 2017, a Justiça do Trabalho da 4ª Região inaugurou seus dois primeiros Centros Judiciários de Métodos Consensuais de Solução de Disputas (Cejusc-JT): um no Foro Trabalhista de Porto Alegre (1º Grau) e outro na sede do TRT (2º Grau). Hoje, os Cejuscs também já estão presentes em Caxias do Sul, Passo Fundo, Pelotas, Rio Grande, Santa Maria e Bento Gonçalves. 

Em dezembro de 2019, foi concluída a migração do acervo de processos físicos para o meio eletrônico. A partir de então, 100% dos processos da Justiça do Trabalho da 4ª Região tramitam eletronicamente. 

Pandemia

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Pandemia causou impactos no mundo em 2020

Em 2020, o mundo parou por conta da pandemia de Covid-19. A necessidade maior tornou-se garantir o direito à vida, com o mínimo possível de pessoas infectadas. O TRT-RS suspendeu a maioria de suas atividades presenciais, instituiu sessões de julgamento por videoconferência, trabalho remoto e, decorridos sete meses com distanciamento social, preparou-se para um retorno gradual às atividades presenciais.

Além de repercutir na vida da pessoas, de forma geral, os magistrados e servidores reinventaram-se e adaptaram-se para manter os bons números de produtividade, mesmo no trabalho remoto, ganhando mais destaque o caráter conciliador da Justiça do Trabalho.

Enchente 

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Foro Trabalhista de Porto Alegre alagado em 2024. 

Em maio de 2024, a tragédia climática que atingiu o Rio Grande do Sul também impactou a Justiça do Trabalho, com prédios alagados em todo o Estado. Prazos processuais e atendimentos presenciais foram suspensos entre 2 e 31 de maio. O Tribunal precisou desligar seu data center, de 3 a 19 de maio. Com isso, o PJe e outros sistemas ficaram fora do ar, e foram adotados procedimentos por e-mail para medidas judiciais urgentes e expedição de alvarás.

Durante todo o período da enchente, o TRT-RS seguiu atendendo a comunidade. A Vice-Presidência disponibilizou o serviço de mediação para solucionar problemas trabalhistas coletivos. A equipe de Segurança prestou apoio à Defesa Civil para auxiliar as vítimas da tragédia. O TRT-RS também participou de campanhas de arrecadação de doações, com apoio da AmatraIV e do Sintrajufe/RS, e montou um ponto de coleta no seu Prédio-Sede. Além disso, TRTs de diversos Estados também fizeram campanhas locais e destinaram as doações para o Rio Grande do Sul. 

Estrutura atual

Atualmente, a Justiça do Trabalho no Rio Grande do Sul conta com 132 Varas do Trabalho e dez Postos Avançados, distribuídos em 65 municípios. O quadro é composto por 48 desembargadores(as), 247 de juízes(as) do Trabalho (titulares e substitutos), 3.540 servidores(as), 198 estagiários(as) e 550 trabalhadores(as) que atuam mediante terceirização.

Sua missão, disposta em seu Plano Estratégico, é realizar Justiça no âmbito das relações de trabalho, contribuindo para a paz social e o fortalecimento da cidadania. E a visão, definida no mesmo plano, é ser uma instituição de excelência, ágil e efetiva na prestação jurisdicional, em busca da Justiça Social e do desenvolvimento sustentável.

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Fonte: Secom/TRT-RS, com informações e imagens do Memorial/TRT-RS
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