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Publicada em: 01/05/2026 08:50. Atualizada em: 01/05/2026 09:04.

Artigo em ZH: "Trabalho com dignidade", de autoria do presidente do TRT-RS, desembargador Alexandre Corrêa da Cruz.

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Des. Alexandre Corrêa da Cruz
Des. Alexandre Corrêa da Cruz

Texto originalmente publicado no jornal Zero Hora, edição de 1º de maio de 2026.

Trabalho com dignidade

Neste 1º de Maio, dia das trabalhadoras e dos trabalhadores, impõe-se a reflexão sobre as profundas transformações em curso, especialmente no campo tecnológico. Embora tragam ganhos de eficiência e facilitem o cotidiano, tais mudanças também apresentam desafios relevantes, como os riscos de desumanização e precarização das relações de trabalho.

As inovações digitais, ao mesmo tempo que ampliam possibilidades, podem distorcer a compreensão sobre a própria condição de quem trabalha. Não raramente, trabalhadoras e trabalhadores passam a se perceber como empreendedores, mesmo sem deter os meios de produção ou exercer controle efetivo sobre sua força de trabalho. Esse cenário exige análise crítica, sobretudo diante da assimetria que ainda marca a relação entre capital e trabalho.

O avanço tecnológico é irreversível e não há perspectiva de retrocesso. Cabe, portanto, orientar sua aplicação para o benefício coletivo. Quando desviadas de sua finalidade de potencializar a criatividade humana e otimizar o tempo, essas ferramentas podem fragilizar direitos e comprometer o desenvolvimento social.

Nesse contexto, é essencial resguardar direitos fundamentais, especialmente diante de condições de trabalho sabidamente precárias, muitas vezes revestidas por discursos de liberdade que ocultam relações desprotegidas. A centralidade da dignidade humana deve orientar qualquer modelo produtivo.

Também é indispensável assegurar que decisões com impacto sobre pessoas não sejam delegadas exclusivamente a máquinas e algoritmos, sem controle e supervisão humanos adequados. A ética, a prudência e a responsabilidade permanecem princípios indispensáveis em qualquer atividade, inclusive na incorporação de tecnologias aos processos decisórios.

A confiança nas instituições depende desse compromisso contínuo. Em 2026, o 1º de Maio reafirma a necessidade de vigilância permanente contra a precarização e o desrespeito às normas que garantem o trabalho decente. Impõe, sobretudo, o dever coletivo de defender condições dignas para todas e todos que têm no trabalho seu meio de subsistência.

Desembargador Alexandre Corrêa da Cruz
Presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região

imagem do artigo publicado na página de Zero Hora

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Fonte: Secom/TRT-RS
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