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Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região

Rio Grande do Sul

Informações ao Cidadão
12/11/2018 09:08 compartilhe:

1º Encontro de Servidores Negros do TRT-RS mobiliza Justiça Trabalhista

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Conjunto de servidores ativos e aposentados "Fiéis da Balança" se apresentam no encontro no 1º Encontro de Servidores Negros do TRT-RS
Conjunto de servidores ativos e aposentados "Fiéis da Balança" se apresentam no encontro no 1º Encontro de Servidores Negros do TRT-RS
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Aberto a todos os servidores, magistrados, estagiários e terceirizados do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS), o 1º Encontro de Servidores Negros, ocorrido nessa quinta-feira (8/11), proporcionou um espaço de reflexão sobre a condição do negro no Brasil. As palestras e debates realizados ao longo do dia promoveram a valorização da cultura e da identidade negra, na busca pela promoção de transparência e de justiça social.

Acesse o álbum de fotos do evento.

Nas palavras da servidora Roberta Liana Vieira, representante do Coletivo Negro do TRT-RS junto ao Comitê de Equidade de Gênero, Raça e Diversidade, encontros como este servem tanto para tentar reparar a história da escravidão como para impedir que ela seja esquecida. “Quem tem a cor igual à minha sabe que a gente sempre valoriza a ancestralidade. Eu estar aqui hoje não é uma conquista somente minha: é da minha mãe, é da minha irmã. É todo mundo que me ajudou a estar aqui”, refletiu. Ela lembrou que, ainda hoje, apenas 3% do quadro de servidores do TRT-RS é composto por negros, e que essa realidade não pode ser compreendida sem que se enfrentem os 356 anos em que a escravidão ocorreu legalmente no Brasil.

Leia também matéria da Secom sobre as atividades do período da tarde do Encontro: Discussões sobre identidade, exposições livres e apresentação de poesias marcam tarde do 1º Encontro de Servidores Negros do TRT-RS

A abertura do encontro foi realizada pela presidente do TRT-RS, desembargadora Vania Cunha Mattos, que salientou a dívida histórica brasileira com os descendentes de escravos. “Todas as iniciativas que se fizer para reverter a desigualdade dos negros no nosso país são insuficientes diante dos séculos de dominação, servidão e abandono”, afirmou. O Encontro, segundo a presidente, contribui para a construção de uma sociedade verdadeiramente igualitária e livre de preconceito, em que todos tenham acesso às mesmas possibilidades e oportunidades.

A diretora da Escola Judicial do TRT-RS, desembargadora Carmen Izabel Centena Gonzalez, enfatizou a importância de reconhecer institucionalmente o problema do racismo. “Expresso ou velado, o preconceito é um problema de ordem social que tem repercussão nas relações profissionais e interpessoais travadas no ambiente do nosso Tribunal”, afirmou. Nesse sentido, ela destacou os aspectos de pluralismo e de respeito às minorias que foram promovidos no encontro.

A coordenadora do Comitê Gestor de Equidade, juíza Raquel Nenê Santos, lembrou que encontros como este são necessários para reforçar a contribuição social, histórica e simbólica da comunidade negra. “Não há mais espaço para silenciar ou tolerar qualquer tipo de preconceito, violência ou discriminação que possam configurar redução de igualdades ou desrespeito à diversidade”, declarou.

Mesa Redonda - Racismo, Serviço Público e Instituições

O servidor Paulo Rogério Barbosa Vargas mediou a mesa redonda com o tema “Racismo, Serviço Público e Instituições”. A doutoranda e mestre em Educação Alessandra Pio, especialista em Administração Educacional, apresentou uma crítica à atual estruturação do sistema educacional brasileiro, que valoriza a imagem do branco e exclui o negro. Na sequência, o major da Brigada Militar e ex-diretor do presídio central de Porto Alegre, Dagoberto Albuquerque da Costa, conversou sobre o sistema prisional e os movimentos para qualificar a atuação da Brigada.

Alessandra Pio, cuja pesquisa versa sobre temáticas de Educação e Relações Raciais e de Questões Políticas da Diáspora Africana nas Américas, denunciou o processo pelo qual a naturalização de uma cultura homogênea acomoda o racismo, por meio da padronização e idealização de uma imagem social única e branca. “A escola é um dos lugares de reprodução de conhecimento que nós precisamos manter, mas é um dos lugares mais férteis para reproduzir o racismo. A gente não é educado para pensar criticamente sobre o livro didático”, reflete. Ela apresentou exemplos variados de imagens e conteúdos retirados dos livros escolares e da mídia, os quais constroem papeis pré-definidos para brancos e negros.

Major Dagoberto, especialista em Administração Pública no Estado Democrático de Direito, também atua como instrutor na disciplina de Sociologia da Violência e da Criminalidade e instrutor da Força Nacional de Segurança Pública na disciplina de Antropologia. Ele lembra que o Brasil teve um desenvolvimento desigual para brancos e negros, e que as instituições precisam mudar para fomentar um tratamento verdadeiramente equitativo às pessoas. “No Rio Grande do Sul temos de 18% a 20% de negros, e essa representatividade não é sentida em nenhum lugar. O período que trabalhei no presídio central foi aquele em que vi maior representatividade de negros. Lá, são 33% de negros presos”, apontou.

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Fonte: Secom/TRT-RS
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