Seminário sobre adoecimento mental no trabalho reúne autoridades e especialistas em Gramado
Na tarde da última quinta-feira (30/4), em Gramado, foi realizado o Seminário "Transtornos Mentais Relacionados com Trabalho — uma pauta emergente".
O evento, alusivo ao Abril Verde, reuniu autoridades do poder público municipal, magistrados do Trabalho, representantes sindicais e pesquisadores.
Compromisso institucional
A servidora Gabriela Milani Leal, da Assessoria de Promoção do Trabalho Decente e Direitos Humanos (Asprodec) do TRT-RS, foi aresponsável pela condução das atividades.
O secretário municipal de saúde de Gramado, Jeferson William Moschen, integrante da mesa de abertura, ressaltou o compromisso do município com a saúde integral dos trabalhadores.
Em seguida, o desembargador Marçal Henri dos Santos Figueiredo, gestor regional do Programa Trabalho Seguro do TRT-RS, apresentou a visão da Justiça do Trabalho sobre a necessidade de políticas preventivas eficazes.
O juiz diretor do Foro da Justiça do Trabalho de Gramado, Artur Peixoto San Martin, destacou a importância da parceria entre o Judiciário trabalhista e as instituições locais.
Completaram a mesa Isabel Nader Rodrigues, coordenadora do curso de Direito da UCS Hortênsias, e os representantes sindicais Mauro Adriano de Freitas, do Sindicato dos Empregados em Turismo e Hospitalidade de Canela (SETH), e Silvano Antônio da Silva, vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Hotelaria e Gastronomia de Gramado (SINTRAHG).
Ciência, direito e prática clínica
Quatro especialistas conduziram apresentações técnicas. O médico psiquiatra Sawilus Coelho Marques Silveira, da Secretaria Municipal de Saúde de Gramado, abriu a rodada compartilhando sua experiência clínica com trabalhadores da região e descrevendo o perfil dos casos que chegam aos serviços de saúde do município — predominantemente quadros de ansiedade, depressão e de esgotamento relacionados a jornadas excessivas e ambientes de alta pressão.
A professora Angie Catiuscia Costa Miron, mestre em Sociologia pela UFRGS e servidora do TRT-RS, compartilhou uma leitura sociológica e jurídica da atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). Angie destacou que a partir de maio deste ano as empresas deverão identificar e gerir os chamados riscos psicossociais — como metas abusivas, jornadas prolongadas, ausência de suporte e assédio moral— como parte obrigatória do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Ela também analisou como a racionalidade neoliberal contribui para a naturalização do adoecimento nas relações de trabalho.
Nicieli Guissardi, fonoaudióloga e gerente do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador de Caxias do Sul (Cerest Serra), apresentou os dados da região e o papel estratégico dos centros de referência na vigilância, na notificação e no apoio aos trabalhadores adoecidos.
A mesa redonda foi encerrada pela psicóloga forense Karen Netto, mestranda em Psicologia Social pela UFRGS, que abordou a dimensão psicológica e acadêmica dos transtornos mentais relacionados ao trabalho, com ênfase nas evidências sobre intervenções eficazes.
Um chamado à ação
O evento contou com o apoio da Prefeitura de Gramado, da UCS Hortênsias, do SINTRAHG, do TRT-RS, da OAB Subseção Canela/Gramado e do SETH Canela.
Com o prazo de adequação à nova NR-1 se aproximando — maio de 2026 —, o seminário serviu de alerta às empresas que ainda não iniciaram o mapeamento dos riscos psicossociais em seus ambientes de trabalho.


