Dia Mundial da Catadora e do Catador: saiba mais sobre essa profissão essencial para a gestão da sustentabilidade
O que acontece com o resíduo depois que ele sai da nossa casa? Parte importante dessa resposta passa pelo trabalho das catadoras e dos catadores de materiais recicláveis. No dia 1º de março, a data chama a atenção para o papel desses trabalhadores na preservação do meio ambiente e na construção de uma sociedade mais sustentável.
O trabalho do(a) catador(a) vai muito além de recolher resíduos. Na prática, esses profissionais coletam, separam, classificam e encaminham materiais como papel, plástico, vidro e metal para a reciclagem. Ao fazer isso, transformam o que seria lixo em nova matéria-prima. É uma atividade fundamental dentro da chamada economia circular.
De acordo com o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), o Brasil conta com cerca de 1 milhão de pessoas que exercem essa atividade, sendo que aproximadamente 85% ainda estão na informalidade. No Rio Grande do Sul, milhares de famílias dependem diretamente da reciclagem como principal fonte de renda.
A importância ambiental é evidente, pois a reciclagem reduz o volume de resíduos enviados aos aterros sanitários, diminui a poluição e economiza recursos naturais. Cada material reciclado representa menos extração de matérias-primas, menos consumo de água e menos gasto de energia na produção de novos produtos.
Apesar da relevância social e ambiental, a profissão ainda enfrenta desafios. Falta de valorização, preconceito, renda instável e ausência de estrutura adequada estão entre as principais dificuldades. Muitas vezes, os trabalhadores e trabalhadoras não dispõem de equipamentos de proteção, galpões apropriados ou apoio contínuo das autoridades.
Luciana Cardoso Bezerra, integrante da Associação dos Trabalhadores da Unidade de Triagem do Hospital São Pedro (ATUT), entidade que presta serviços ao Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS), destaca que o reconhecimento ainda precisa avançar. “Muitas pessoas não conhecem a importância do nosso trabalho e não fazem a separação correta do lixo”, afirma.
Para ela, trabalhar com reciclagem é também uma forma de conscientizar a população sobre a necessidade da separação correta e do respeito aos trabalhadores da área. “Valorizem o nosso trabalho e entendam que reciclar é um ato de cidadania. Juntos, podemos construir um mundo mais sustentável e mais justo para todos.”, destaca.
Trabalho decente
Em 2024, o TRT-RS instituiu um grupo de trabalho para avaliar medidas voltadas à melhoria das condições de atuação de catadores e catadoras e à ampliação da inclusão socioeconômica.
A partir desse estudo, o Tribunal passou a contratar associações e cooperativas de reciclagem, de forma remunerada, para atuar na coleta seletiva dos resíduos gerados nos prédios da Justiça do Trabalho da Capital e em municípios onde não há coleta seletiva pública. A iniciativa substituiu convênios não remunerados por contratos com pagamento pelos serviços prestados. A contratação segue em vigor e serve de referência para outros órgãos públicos.
Além disso, nesta semana (5/3), o TRT-RS firmará um Acordo de Cooperação com outras instituições para fomentar o trabalho decente dos catadores e catadoras, com o objetivo de contribuir para condições de trabalho mais estruturadas, seguras e estáveis.
A iniciativa contará com a participação do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul, Tribunal de Justiça Militar do Estado do Rio Grande do Sul, Ministério Público do Trabalho e Ministério Público Federal. Outras instituições interessadas em aderir, podem fazer contato com a Assessoria de Promoção do Trabalho Decente e dos Direitos Humanos (Asprodec) pelo e-mail: direitoshumanos@trt4.jus.br.Abre em nova aba
Nesse contexto, o 1º de março ganha um significado maior. Além de destacar a importância ambiental da reciclagem, a data também reforça a necessidade de assegurar condições dignas, remuneração adequada e inclusão para quem atua diariamente na linha de frente da gestão da sustentabilidade.

