Artigo em ZH: "Compromisso com a proteção do trabalho digno", de autoria do desembargador Manuel Cid Jardon
Texto originalmente publicado no jornal Zero Hora, edição de 28 de janeiro de 2026, Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo.
Nesta quarta-feira, 28 de janeiro, é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. Combate que deve ser realizado com ações planejadas, coordenadas, multidisciplinares e articuladas de forma integrada por toda a sociedade.
A escravidão contemporânea ocorre quando o trabalhador é tratado como coisa, mercadoria, sem liberdade de governar o seu próprio destino. Então, para ter-se êxito no enfrentamento dessas práticas desumanas, não basta só conscientizar a sociedade sobre essa responsabilidade, mas, sim, implementar ações concretas para recuperar a dignidade dos trabalhadores e trabalhadoras escravizados.
Nesse desempenho estratégico, o Rio Grande do Sul conta com a Comissão Estadual para Erradicação do Trabalho Escravo, a COETRAE-RS. Criada em 2012, a comissão se destaca publicamente com ações de articulação, monitoramento de trabalhadores safristas e acompanhamento de imigrantes sobre a regularização da documentação legal e situação migratória. Além disso, tem atuado efetivamente na prevenção e repressão de ocorrências de trabalho escravo contemporâneo, assim como na assistência às vítimas no pós-resgate.
Como exemplos dessa atuação conjunta, é possível citar o resgate de mais de 200 trabalhadores na colheita da uva na região de Bento Gonçalves, em 2023; outro resgate em São Marcos, de 24 trabalhadores; e em Porto Alegre, no ano 2025, de trabalhadores bolivianos e argentinos em um restaurante de alto padrão.
As reuniões mensais da COETRAE-RS sobre os acontecimentos atuais do trabalho análogo à escravidão também fortalecem o diálogo e a interação entre as instâncias de poder e a sociedade civil, para o desenvolvimento de políticas de justiça.
Portanto, é louvável o empenho desse órgão no combate à violação dos direitos humanos, porque a dignidade e o trabalho digno são direitos inegociáveis.
Manuel Cid Jardon
Desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região
Gestor regional do Programa de Enfrentamento ao Trabalho Escravo, Tráfico de Pessoas e Proteção ao Trabalho Migrante


