A "exegese": Interpretar é preciso, mas complicar não é necessário
Ano novo, dica nova!
E se tem um projeto em que podemos investir com tudo neste 2026 é nossa jornada pela clareza na escrita jurídica. Hoje vamos falar de uma palavra que já é “figurinha carimbada” em sentenças, acórdãos e petições, mas que muitas vezes levanta uma sobrancelha de dúvida em quem não é da área: a tal da “exegese”.
O que significa?
Do grego exégesis, o termo significa “explicação”, “interpretação” ou “exposição minuciosa”. Na tradição jurídica, a exegese é o trabalho de investigar o sentido real de um texto, analisando as palavras, o contexto e a intenção de quem o escreveu.
Basicamente, fazer a exegese de uma lei é o mesmo que interpretar essa lei.
Quando a dúvida surge
Não há erro gramatical em usar “exegese”. O “problema” aqui não é de norma culta, mas sim de acesso ao sentido.
Quando escrevemos que “a exegese do artigo 467 da CLT conduz à conclusão de que...”, estamos usando um termo preciso, mas que cria uma barreira desnecessária para as pessoas que buscam entender o resultado do seu processo ou que trabalham na Justiça mas não são da área do Direito.
A palavra é pouco comum no vocabulário cotidiano e pode soar como um "obstáculo" na leitura. Ela exige muito mais do nosso cérebro do que suas correspondentes “interpretação”, “análise”. Além disso, duvido você conseguir pronunciá-la três vezes seguidas sem enrolar a língua…
Simplificar para aproximar
O Pacto Nacional do Judiciário pela Linguagem Simples nos convida a refletir: será que não podemos dizer a mesma coisa de um jeito que todas as pessoas entendam de primeira?
Veja como os exemplos a seguir ficam muito mais fluidos e diretos, se substituirmos a palavra “exegese” e ajustarmos os textos seguindo as diretrizes da Linguagem Simples:
Resumindo:
“Exegese” é o sinônimo mais complexo para “interpretação” ou “análise detalhada”.
Embora correta, é uma palavra bastante erudita que pode dificultar a compreensão imediata do texto e dar aquele “nó” na hora de interpretá-lo.
Prefira usar "interpretação", "análise" ou o até mesmo o verbo "interpretar", quando for o caso.
O Direito já é complexo por natureza. Nossa redação não precisa ser.
Um feliz e sereno 2026 para todos e todas nós. Que nossas palavras neste novo ano sirvam para construir pontes de entendimento, com menos barreiras e muito mais fluidez.
Por hoje era isso.
Até a próxima!
Lara Martins
Servidora do TRT-RS
Assessora de Promoção do Acesso à Justiça
Graduada em Letras, com pós-graduação em Direito Administrativo
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