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Publicada em: 17/04/2026 12:13. Atualizada em: 17/04/2026 12:17.

Projeto Convergência do TRT-RS aproxima Justiça do Trabalho, academia e advocacia em Caxias do Sul

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Desembargador Fernando Cassal ao microfone, sentado à mesa oficial.
Primeira edição do projeto ocorreu em Caxias do Sul

A primeira edição do “Projeto Convergência: Alinhando a Jurisdição de Ponta a Ponta” reuniu magistrados(as), advogados(as), estudantes e profissionais do Direito na noite de quinta-feira (16/4), no campus da Universidade de Caxias do Sul (UCS).

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A iniciativa da Vice-Presidência Jurisdicional do TRT-RS, que nesta primeira edição teve a parceria da Área do Conhecimento de Ciências Jurídicas da UCS, tem como objetivo aproximar o Poder Judiciário da comunidade acadêmica e jurídica, além de promover o alinhamento entre as diferentes instâncias da Justiça do Trabalho.

A atividade foi mediada pela professora Raquel Cristina Pereira Duarte e pela juíza Ana Júlia Fazenda Nunes, titular da 3ª Vara do Trabalho de Caxias do Sul. A proposta do projeto é atuar de forma estratégica diante do crescente volume de recursos de revista, promovendo diálogo institucional, escuta ativa e compartilhamento de informações sobre o fluxo processual e a aplicação de precedentes.

Desembargador Fernando Cassal ao microfone, sentado à mesa oficial
Des. Fernando Cassal, vice-presidente jurisdicional do TRT-RS

Alinhamento

Na abertura, o vice-presidente Jurisdicional do TRT-RS, desembargador Fernando Luiz de Moura Cassal, destacou o propósito do projeto e a necessidade de enfrentamento do aumento expressivo dos recursos de revista. Segundo ele, a iniciativa busca “alinhar a jurisdição de ponta a ponta a partir da realidade da Justiça do Trabalho do Rio Grande do Sul, identificando problemas que precisam ser enfrentados e solucionados”.

O magistrado ressaltou o crescimento dos números e o impacto institucional. “Os números são realmente impressionantes”, afirmou, ao mencionar que somente em março de 2026 foram interpostos 5.149 recursos de revista. Para ele, esses dados “levam a pensar e refletir a respeito das soluções que precisamos buscar para fazer frente a essa demanda”.

Juíza Aline ao microfone, com a mesa oficial ao fundo
Juíza Auxiliar da VP Jurisdicional, Aline Fagundes

Aproximação

Cassal também enfatizou a importância do diálogo entre os diferentes atores do sistema de Justiça. “Pretendemos apresentar uma visão bem realista da situação, valorizando a escuta de todos os agentes e a sua efetiva participação na solução dos litígios, com celeridade e segurança jurídica”, disse.

O desembargador reforçou que o projeto não se limita à exposição de dados, mas busca ouvir a base do sistema. “Viemos especialmente para ouvir, verificar o que está acontecendo, explicar o nosso trabalho e avaliar se há possibilidades de melhoria nesse fluxo”, afirmou.

Foto em ângulo aberto mostra a juíza Aline ao microfone, com o público ao fundo.
Juíza Aline apresentou dados e análise do cenário dos recursos de revista

Diagnóstico

Na sequência, a juíza auxiliar da Vice-Presidência Jurisdicional, Aline Fagundes, apresentou dados e análises sobre o cenário dos recursos de revista. Segundo ela, a leitura dos números é essencial para orientar estratégias. “Os números sempre nos revelam informações. Queremos fazer um diagnóstico preciso para dar o devido tratamento”, afirmou.

A magistrada explicou o crescimento do volume processual a partir de uma lógica encadeada. “A ação entra no primeiro grau, gera sentenças, depois acórdãos e, por fim, chega à revista. Esse movimento cria ondas sucessivas”, disse.

Juíza Ana Júlia Fazenda ao microfone, sentada à mesa oficial
Juíza Ana Júlia Fazenda Nunes, mediadora da atividade

Volume

Aline destacou a dimensão do trabalho enfrentado pelo Tribunal. “Foram mais de 39 mil despachos de admissibilidade em um ano. Se ainda havia dúvida sobre o tamanho do trabalho, aqui fica muito claro”, observou. Ela acrescentou que o volume diário também chama atenção: cerca de 200 recursos chegam ao setor a cada dia.

A juíza também apontou o impacto desse cenário. “Estamos falando de um volume muito expressivo de produção intelectual, com grande gasto de energia, muitas vezes sem efeito imediato”, disse.

Professora Raquel Cristina Pereira Duarte ao microfone, sentada à mesa oficial
Professora Raquel Cristina Pereira Duarte

Estratégia

Diante desse cenário, a juíza ressaltou a necessidade de soluções estruturais. “Se não posso aumentar o número de pessoas, preciso pensar em estratégias”, afirmou, citando o uso de inteligência artificial e o aprimoramento técnico.

Ela também destacou o papel dos precedentes e do alinhamento jurisprudencial. “Esse alinhamento é absolutamente necessário para enfrentar essa grande demanda”, disse, acrescentando que o tema exige integração entre as instâncias e capacitação contínua dos operadores do Direito.

Mediações

Desembargador Alexandre Cruz ao microfone, em frente ao púlpito.
Des. Alexandre Corrêa da Cruz, presidente do TRT-RS

Logo na sequência ocorreu a palestra do presidente do TRT-RS. Ao tratar das formas de solução de conflitos, o desembargador Alexandre Corrêa da Cruz apresentou os diferentes modelos existentes. Segundo ele, os litígios podem ser resolvidos por autodefesa, autocomposição ou heterocomposição, esta última com a atuação de um terceiro.

Ele destacou que, no âmbito das mediações coletivas, o foco é a construção de soluções consensuais. “O objetivo é a pacificação social, e com isso se evita o ajuizamento de demandas, sejam individuais ou coletivas”, afirmou.

Consenso

Alexandre explicou o funcionamento das mediações no Tribunal. “O procedimento é extremamente simples, informal, não há custo e é absolutamente voluntário”, disse. 

Palestra do presidente Alexandre Cruz
Palestra do presidente Alexandre Cruz

Segundo ele, nesse contexto, o magistrado assume outro papel: “não tem poder de decidir, apenas auxilia as partes a construir uma solução consensuada”.

O desembargador ressaltou ainda a importância da imparcialidade e da ética na condução das mediações, bem como o respeito à autonomia das partes. “A qualquer momento a parte pode se retirar. O que se busca é o consenso”, afirmou.

Mudança cultural

Para o magistrado, a mediação exige uma transformação na formação jurídica. “Fomos treinados para o litígio. A mediação exige virar a chave”, disse. Ele defendeu que advogados passem a atuar como negociadores e gestores de conflitos. “O advogado deve ser um gestor de conflitos, e não um promotor desses conflitos”, afirmou.

Alexandre também destacou a importância de habilidades como empatia, escuta ativa e comunicação. “É preciso domínio técnico, mas também habilidades sociais”, observou.

Resultados

Ao apresentar dados, ele evidenciou o impacto das mediações. “Em regra, de cada quatro mediações, três são exitosas”, afirmou. O magistrado destacou ainda o alcance coletivo dessas soluções: “uma mediação pode beneficiar milhares de trabalhadores”.

Precedentes

Desembargador Francisco Rossal de Araújo ao microfone, em frente ao púlpito
Des. Francisco Rossal de Araújo

Encerrando as exposições, o desembargador Francisco Rossal de Araújo propôs uma reflexão ampla sobre o volume de processos e o papel dos precedentes no sistema de Justiça. “O Brasil tem 84 milhões de ações ativas”, afirmou, citando dados do Conselho Nacional de Justiça.

Ele chamou atenção para o fato de que grande parte das demandas envolve questões básicas. “Não estamos falando de teses mirabolantes. Estamos falando de horas extras, insalubridade, danos morais e parcelas rescisórias”, disse.

Causas

Rossal destacou que o elevado número de ações revela problemas estruturais da sociedade. “Ninguém vai à Justiça porque gosta. A pessoa vai porque tem um problema”, afirmou. Segundo ele, o volume expressivo de demandas indica falhas na resolução prévia dos conflitos.

Ele citou o caso do Rio Grande do Sul, que recebeu mais de 150 mil ações em 2025. “Isso não é um fenômeno isolado. Alguma coisa está acontecendo”, observou.

Qualidade do sistema

O magistrado também abordou o impacto desse cenário no funcionamento do Judiciário. “É humanamente impossível trabalhar com esse volume”, afirmou, ao mencionar o crescimento do número de processos nos tribunais superiores.

Ainda assim, ressaltou a qualidade do sistema. “Não temos um mau Poder Judiciário. Temos bons juízes, bons servidores e bons advogados”, disse.

Reflexão

Rossal defendeu a necessidade de soluções fora do Judiciário. “Alguma coisa falhou na sociedade para que as pessoas tenham que vir fazer acordo na Justiça”, afirmou. Ele citou o papel de sindicatos e de mecanismos alternativos de resolução de conflitos.

Também destacou a importância do cumprimento espontâneo das normas. “Seria ideal que os direitos fossem respeitados sem necessidade de judicialização”, observou.

Tecnologia

Ao abordar o uso de inteligência artificial, o desembargador fez um alerta. “Se não tivermos controle, quem garante que os algoritmos não vão influenciar nossas decisões?”, questionou. Para ele, o uso da tecnologia deve ser equilibrado. “Ela pode ajudar, mas não pode substituir a humanidade”, disse.

Convergência

Professor Edson Dinon Marques ao microfone, em frente ao púlpito
Prof. Edson Dinon Marques

O diretor da Área de Conhecimento de Ciências Jurídicas da UCS, professor Edson Dinon Marques, destacou o significado da iniciativa. Ao abordar o conceito do projeto, afirmou que “convergência significa dirigir-se ao mesmo ponto”, ressaltando a importância de “convergirmos para pontos comuns positivos enquanto sociedade”.

Segundo ele, a realização da primeira edição na universidade representa “um momento de muita honra” e reforça o papel da instituição na formação jurídica. “O contato dos estudantes com o Poder Judiciário é de vital importância para a formação”, disse.

Visitas institucionais

Antes da realização do evento, ainda na quinta-feira, o desembargador Fernando Luiz de Moura Cassal e a juíza Aline Fagundes, acompanhados do diretor da Secretaria de Recurso de Revista, Arthur Grillo, cumpriram agenda institucional em Caxias do Sul, como parte do projeto Convergência.

Reitoria da UCS

O grupo foi recebido pelo reitor da UCS, Gerson Reck, em encontro voltado ao fortalecimento da parceria institucional e à aproximação com o meio acadêmico.

OAB Caxias do Sul

Também houve visita à subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Caxias do Sul, com diálogo sobre a atuação da advocacia e os desafios relacionados aos recursos de revista. Participaram da reunião o presidente da OAB Caxias do Sul, Mauricio Rugeri Grazziotin, a vice-presidente, Patrícia Montemezzo, e o presidente da Comissão de Direito do Trabalho da entidade, André Ricardo Chimello.

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Fonte: Eduardo Matos (Secom/TRT-RS).
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