O verbo “perquirir”: Para que "perquirir" se podemos investigar?
Hoje falaremos de uma palavra que, embora tecnicamente correta, costuma causar um "nó" na cabeça de quem não está acostumado(a) com a linguagem dos tribunais ou até mesmo para pessoas que lidam com os textos jurídicos diariamente: o verbo “perquirir”.
Você conseguiria dizer, com facilidade, o que significa o verbo perquirir, assim, de imediato? Muitas pessoas certamente conseguiriam, mas eu aposto que tem um monte de gente que não. Isso porque “perquirir” não é uma palavra muito comum fora do Direito e não faz parte das palavras mais faladas da Língua Portuguesa.
Vindo do latim perquirere, o verbo significa “buscar com cuidado”, “investigar minuciosamente”, “pesquisar ou examinar”. No dia a dia forense, ele aparece quase sempre quando alguém quer dizer que é necessário "analisar" ou "averiguar" algo dentro do processo.
Por que evitar?
O problema do verbo "perquirir" não é o seu sentido, que é muito preciso, mas sua baixa frequência no uso cotidiano. Quando usamos palavras muito distantes do vocabulário de uso comum, obrigamos quem lê a interromper o raciocínio para tentar “decifrar” a palavra escolhida, e isso prejudica a fluidez do texto. A pessoa precisa de muito contexto para compreender. É isso que pode acontecer com o verbo “perquirir” e palavras mais rebuscadas.
Substituir para esclarecer
O Pacto Nacional do Judiciário pela Linguagem Simples e a Lei nº 15.263/2025 nos incentivam a trocar palavras complexas e pouco usadas por palavras mais conhecidas pela população em geral. Na maioria das vezes, verbos como investigar, analisar, verificar ou examinar dão conta do recado com muito mais naturalidade e compreensibilidade do que perquirir. Como eu costumo dizer, eles tornam a leitura muito mais “confortável”.
Veja como a substituição funciona na prática:
Resumindo:
Perquirir é sinônimo de investigar, pesquisar ou examinar detalhadamente.
Por ser um termo muito erudito, ele pode criar uma distância desnecessária entre a Justiça e os(as) cidadão(ãs), mas não apenas isso: palavras como perquirir criam barreiras à fluidez da leitura, mesmo para um público especializado, como o nosso, e sem ganho de precisão jurídica.
Sempre que possível, prefira usar os equivalentes analisar, verificar, investigar ou buscar. O texto ganha agilidade e a pessoa que lê agradece.
Por hoje era isso.
Até a próxima!
Lara Martins
Servidora do TRT-RS
Assessora de Promoção do Acesso à Justiça
Graduada em Letras, com pós-graduação em Direito Administrativo
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