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01/04/2022 17:57

Conheça o podcast "Introvertendo", uma fonte de informação sobre autismo a partir de quem vivencia o transtorno

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WhatsApp Image 2022-04-01 at 14.17.25.jpeg"Introvertendo, um podcast onde autistas conversam". O slogan pode parecer óbvio para muita gente, mas na verdade é uma divertida ironia que mexe com a ideia de senso comum segundo a qual os autistas vivem em um mundo paralelo e são incapazes de construir interações sociais, como as conversas.

Não é o caso dos integrantes  desse podcast, no ar desde maio de 2018 e atualmente com 206 episódios publicados. Lá eles falam muito, e sobre os mais diversos assuntos. Discutem bastante sobre conceitos ligados ao autismo, mas também sobre suas próprias vivências dentro do Transtorno, sobre as inúmeras polêmicas e controvérsias da comunidade dos autistas no Brasil e fora dele e sobre o que observam nas trajetórias de outras pessoas que também são autistas. Neste mês de abril, dedicado à conscientização sobre o autismo, vale a pena saber mais sobre esse podcast, que se tornou ao longo do tempo uma fonte importante de informação, compartilhamento de experiências e até mesmo entretenimento sobre as questões que envolvem o espectro autista. 

As duas integrantes mulheres e os seis integrantes homens foram diagnosticados já na fase adulta com o Transtorno do Espectro do Autismo (Tea). Mas em comum só possuem o diagnóstico e algumas vivências compartilhadas. As personalidades, os gostos, as formas de expressão e até mesmo as opiniões podem ser muito diferentes. Eles harmonizam tudo isso em uma conversa sobre autismo que vai ao ar a cada duas semanas, em todas as plataformas de áudio. Para ouvir, basta procurar por "Introvertendo". Todos os episódios também estão disponíveis para escuta no site www.introvertendo.com.br.

Quanto ao formato das apresentações, as possibilidades são variadas. Em muitos episódios, há uma discussão mais solta entre os integrantes sobre um tema pré-determinado. Em outros, o podcast adquire uma pegada mais jornalística, um pouco mais rígida, com a presença de entrevistados especializados naquele assunto. No site também é possível conhecer mais sobre cada integrante, ouvir as audiodescrições feitas por cada um para pessoas cegas e entender mais sobre o autismo, com indicações de materiais de qualidade a respeito do Transtorno.

O programa começou a partir de um grupo terapêutico de pessoas com autismo constituído por alunos da Universidade Federal de Goiás (UFG), onde todos moravam à época. Foi nesse ambiente que um estudante de jornalismo conheceu um acadêmico de medicina, um colega da geologia e um aluno da biomedicina.

WhatsApp Image 2022-04-01 at 16.31.05.jpegDas conversas sobre suas experiências com o autismo surgiu a ideia de fazer um podcast, capitaneado pelo estudante de comunicação referido acima, hoje jornalista formado e editor do programa: Tiago Abreu. "A psicóloga liberava a sala pra ficarmos uma hora a mais, depois da terapia, e então gravávamos ali mesmo. Por isso que o áudio dos primeiros episódios é horroroso, cheio de eco", diverte-se Tiago, um aficionado por edição de áudio desde sempre.

Com as mudanças nos contextos de vida de cada um, houve uma dispersão entre os integrantes. Atualmente, apenas dois participantes da formação original continuam morando em Goiânia, e os demais vivem cada um em um estado diferente do Brasil. 

A metodologia de produção também se profissionalizou e hoje todas as gravações são feitas online, a partir de encontros semanais, com revezamento de integrantes a cada edição. Outras pessoas foram agregadas à equipe inicial, até se constituir a formação atual. Além do editor e apresentador Tiago Abreu, participam Luca Nolasco (biomédico), Michael "Gaivota" Ulian (geólogo), Otavio Crosara (médico), Thaís Mösken (engenheira civil), Paulo Alarcón (tecnólogo em automação industrial), Willian Chimura (programador e mestrando em informática para educação) e Carol Cardoso (arquiteta).

Todos estão diagnosticados dentro do que se convencionou chamar de "autismo leve", o que não significa, necessariamente, uma baixa intensidade de prejuízos e dificuldades experimentados por eles ao longo da vida. A própria classificação em "níveis" é motivo de controvérsias na comunidade autista, mas, de maneira geral, adota-se as gradações "leve", "moderado" e "severo", conforme o grau de prejuízos e de suporte que cada pessoa experimenta e necessita, respectivamente.

Autismo sem filtros

O clínico geral Otavio Crosara está com 29 anos e recebeu diagnóstico de autismo aos 22. Na infância, sentiu grandes dificuldades na construção de relações sociais com as outras crianças. "Minhas dificuldades eram suficientes para serem muito inconvenientes mas insuficientes para que me mandassem a um psiquiatra", recorda. "Na adolescência essas dificuldades apenas 'amadureceram', ou seja, em vez de se manifestarem em questões de criança, agora se manifestavam em coisas de adolescente", compara. "Então resolvi dar um basta a esse quadro quando estava no primeiro ano de medicina, em 2014".

Para ele, que participa do podcast desde a primeira formação, o programa é uma maneira de se reunir com outras pessoas e falar sobre assuntos que lhe são importantes. "Eu faço sempre o meu melhor, porque poder falar sem freios sobre esses assuntos que nos afetam é uma experiência muito boa", afirma. Crosara formou-se em 2020 e hoje atua em um hospital e uma unidade de saúde em Goiânia.

Além de um aprendizado, para a arquiteta Carol Cardoso a participação no Introvertendo é também um momento prazeroso da semana. "Atualmente é uma das coisas que eu mais gosto de fazer. Para mim é um 'rolê', eu me preparo toda sempre que tem gravação", conta ela.

Estudiosa sobre as questões do autismo, dentre outros interesses, Carol avalia que o podcast é uma forma de colocar autistas falando sobre autismo por si mesmos, sem a intermediação de profissionais ou familiares, o que era algo relativamente novo quando o programa surgiu. "Embora não seja apenas mérito do Introvertendo, é claro, mas eu acho que o podcast contribui para uma pulverização de vozes sobre autismo no Brasil", entende ela. "É uma oportunidade de conhecer as questões do autismo pelo lado de dentro, por quem vivencia essas questões, o que é algo muito positivo".

Desde 2020, o Introvertendo é um podcast semi-independente, que conta com a ajuda na produção da empresa Superplayer & Co, de Porto Alegre. Tiago Abreu planeja as pautas com os demais integrantes, edita, apresenta e faz o gerenciamento das redes sociais do programa. Todos os participantes atuam voluntariamente, sem remuneração. Para aqueles que acreditam no projeto e desejam contribuir financeiramente, basta acessar este link e seguir as instruções.

Confira, a seguir, uma pequena seleção de episódios, que pode ser uma mostra inicial sobre os assuntos debatidos no programa:

O que é o autismo? - episódio 86: os podcasters discutem a conceituação atual de autismo, mas vão além, ao falar sobre as implicações envolvidas nessa conceituação ao longo da história do Transtorno.

Hiper ou hipossensibilidade sensorial - episódio 119: sons, cheiros, quantidade de gente, testura de alimentos, temperatura. Diversos elementos podem causar incômodo incomum a quem é autista. É o que se chama de hipersensibilidade sensorial, quando um estímulo age de forma atípica e traz prejuízo. Por outro lado, em alguns casos pode haver hipossensibilidade sensorial, quando alguns estímulos ou sensações não são percebidas de imediato, mesmo que isso possa colocar em risco a saúde da pessoa. Nesse episódio, os podcasters falam das suas hiper e hipossensibilidades e como isso pode se manifestar. Também elencam algumas estratégias para lidar com essas situações.

O problema dos emojis - episódio 135: o uso de emojis é generalizado hoje na internet. Mas para a maioria dos autistas esta não é uma questão trivial. Muitas pessoas têm dificuldade de interpretar as emoções envolvidas em um emoji, ou interpretam de forma mais literal uma figurinha que pode ser utilizada de maneira irônica. Isso pode gerar situações que inviabilizem a comunicação, ou até mesmo momentos engraçados, como alguns relatados pelos podcasters nesse episódio.

Capacitismo - episódio 150: comumente associado à discriminação que atinge pessoas com deficiência, nesse episódio os podcasters ensinam, com a presença de dois estudiosos sobre o tema, que os preconceitos são apenas consequência do capacitismo, uma construção estrutural presente nas sociedades.

Hiperfoco - episódio 170: pedras semipreciosas, tampinhas de garrafas de vidro, músicas do Itamar Assumpção ou o próprio autismo: uma infinidade de objetos ou tópicos podem suscitar um interesse acima da média e fazer uma pessoa com autismo dedicar-se por muito tempo, de forma repetitiva, àquele assunto. É o chamado hiperfoco, que pode ser produtivo ou causar prejuízo na vida de autistas. Ouça quais são os hiperfocos dos integrantes do Introvertendo e aprenda mais sobre esse assunto.

Athypical - episódio 183: uma oportunidade para os fãs da famosa série ouvirem comentários de pessoas que passam pelas mesmas situações do personagem principal e têm uma visão crítica sobre a produção. Os podcasters discutem diferentes situações apresentadas na série e comparam com suas próprias vivências. Consideram a produção positiva por chamar a atenção para o autismo e por normalizar essa condição na sociedade.

O que é neurodiversidade? - episódio 202: Uma entrevista como autor do livro de mesmo título, o editor Tiago Abreu. A obra pretende ser uma introdução ao tema, inspirada na coleção "Pirmeiros Passos", mas com caráter mais jornalístico.

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Fonte: Juliano Machado (Secom/TRT-RS)
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